
Chegou a hora. Já divisamos, por entre imensos feixes de espinhos, as linhas inimigas.
Não somos mais capazes de hesitar. Não somos mais. Ao contrário, estamos sedentos pela batalha, com sangue no olho para os desafios.
Queremos luta. Uma luta branca, sem violência. Ansiamos pelas oito escaramuças que nos separam de um feito que há 38 anos buscamos repetir.
Queremos luta. Uma luta branca, sem violência. Ansiamos pelas oito escaramuças que nos separam de um feito que há 38 anos buscamos repetir.
Estamos chegando ao campo de batalha com a faca nos dentes e o arco cheio de setas de incentivo. A adrenalina sobe e incha a veia, o coração dispara e a respiração se transforma em um ofegar nervoso. Somos quase humanos e fortes demais para sermos contidos. Não há mais piedade. A piedade trama contra nós.
Eis aqui, na ira e na raça, o povo atleticano, louco para vencer todos os jogos.
O mesmo pulsar, o mesmo respirar, o mesmo ansiar... em um só coração. Pois os nossos corações atleticanos estarão sempre sangrando, serão sempre passionais e alucinados pela mesma bandeira que tremula preta e branca.
Como um tsunami alvinegro, somos uma onda gigantesca capaz de destruir a vontade de nossos adversários, pois a nossa é mais poderosa que a deles.
Oponentes, por favor, nos subestimem. Façam troça de nós. Haveremos de pegá-los dormindo em suas camas feitas de empáfia e de falsos elogios da mídia. A mesma mídia que irá nos aclamar falsamente em breve.
O chão vai tremer, um barulho ensurdecedor invadirá as hostes inimigas quando chegarmos, atropelando tudo como um tsumani preto e branco avassalador. Mas não chegaremos por chegar. Vamos lutar par e passo com a nossa equipe.
Nossos gritos de guerra, tais quais a do povo Maori, serão capazes de incutir medo nas cabeças de quem nos enfrentar. A nossa energia há de imobilizar as pernas de nossos contendores e criará asas nos pés de nossos guerreiros.
Não vaiaremos o nosso time nem por um segundo. Pelo contrário, os aplaudiremos quando errarem.
Não quedaremos num silêncio da apreensão quando a derrota parecer inevitável. Pelo contrário, os incentivaremos nas adversidades até o último minuto.
Não criticaremos o comandante destes grandes guerreiros. Pelo contrário, nós o aclamaremos mesmo quando se equivocar.
O pacto está sacramentado. E a nossa conquista terá a marca da união entre time e torcida, desde o primeiro até o último minuto de luta, seja ela qual for.
E ninguém poderá dizer que não participamos desse momento mágico.
Só aí poderemos celebrar. Só aí olharemos com coragem no olhar do nosso filho e diremos, engasgados, com o coração explodindo de orgulho e lágrimas vencedoras rolando pelo rosto: Meu filho, nós somos campeões brasileiros outra vez!
A partir daí, nada nos importará mais. Não queremos saber de nada mais. Se morrermos, morreremos felizes.
Pois nem a morte é capaz de apagar a nossa paixão pelo Galo! É impossível.
A nossa paixão por este escudo e por este manto é eterna!
É além da vida!