terça-feira, 31 de maio de 2011

O sotaque das mineiras

Não sei quem é o autor, mas esse texto é muito legal...


"O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Afinal,se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo das moças de Minas ficou de fora?
Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ‘ouvi-la faz mal à saúde’. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: ‘só isso?’. Assino, achando que ela me faz um favor.
Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.
Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas… Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho. Não dizem: pode parar, dizem: ‘pó parar’ Não dizem: onde eu estou?, dizem: ‘onde queu tô.’
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem -lingüisticamente falando – apenas de uais, trens e sôs.
Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro – metaforicamente falando, claro – ele é bom de serviço. Faz sentido…
Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar praoutra: ‘cê tá boa?’ Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário. …
Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: – Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc..) O verbo ‘mexer’, para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: ‘- Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.’
Esse ‘aqui’ é outra delícia que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer ‘olá, me escutem, por favor’. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.
Mineiras não dizem ‘apaixonado por’. Dizem, sabe-se lá por que, ‘apaixonado com’. Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: ‘Ah, eu apaixonei com ele…’. Ou: ‘sou doida com ele’ (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro).
Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas.
Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: – ‘Eu preciso de ir.’ Onde os mineiros arrumaram esse ‘de’, aí no meio, é uma boa pergunta.. Só não me perguntem! Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório.
No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará :’- Ai, gente, que dó.’
É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras… Não vem caçar confusão pro meu lado! Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro ‘caça confusão’. Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele ‘vive caçando confusão’.
Ah, e tem o ‘Capaz….’ Se você propõe algo a uma mineira, ela diz: ‘capaz’ !!! Vocês já ouviram esse ‘capaz’? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer ‘ce acha que eu faço isso’!? com algumas toneladas de ironia.. Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: ‘ô dó dôcê’. Entendeu? Não? Deixa para lá.
É parecido com o ‘nem..’.Já ouviu o nem…’? Completo ele fica: ‘- Ah, nem….’ O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: ‘Meu amor, Cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?’. Resposta: ‘nem….’ Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?
Preciso confessar algo: minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras. Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.
Se você, em conversa, falar: ‘Ah, fui lá comprar umas coisas…’.. – Que’ s coisa? – ela retrucará. O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o ‘que’!
Ouvi de uma menina culta um ‘pelas metade’, no lugar de ‘pela metade’. E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará: – Ele pôs a culpa ‘ni mim’.
A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas… Ontem , uma senhora docemente me consolou: ‘preocupa não, bobo!’.. E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras. nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: ‘não se preocupe’, ou algo assim. Fórmula mineira é sintética. e diz tudo.
Até o tchau, em Minas, é personalizado. Ninguém diz tchau, pura e simplesmente. Aqui se diz: ‘tchau pro cê’, ‘tchau pro cês’. É útil deixar claro o destinatário do tchau…"

sábado, 28 de maio de 2011

Torradas queimadas (desconheço o autor)

Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar.
E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho, muito duro.


Naquela noite, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas bastantes queimadas, defronte ao meu pai.

Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato.

Tudo o que meu pai fez, foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia, na escola.

Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada bocado.

Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada.

E eu nunca esquecerei o que ele disse: " - Adorei a torrada queimada..."

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, eu lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada.

Ele me envolveu em seus braços e me disse:

" - Companheiro, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada... Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou o melhor marido, empregado, ou cozinheiro, talvez nem o melhor pai, mesmo que tente todos os dias!"

O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros. Desde que eu e sua mãe nos unimos, aprendemos, os dois, a suprir um as falhas do outro. Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de alumínio brilhando. Ela não sabe usar a furadeira, mas após minhas reformas, ela faz tudo ficar cheiroso, de tão limpo. Eu não sei fazer uma lasanha como ela, mas ela não sabe assar uma carne como eu. Eu nunca soube fazer você dormir, mas comigo você tomava banho rápido, sem reclamar.


A soma de nós dois monta o mundo que você recebeu e que te apoia, eu e ela nos completamos. Nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto temos os dois presentes.

Não que mais tarde, o dia que um partir, este Mundo vá desmoronar, não vai. Novamente teremos que aprender e nos adaptar para fazer o melhor.
De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas e com amigos. Então filho, se esforce para ser sempre tolerante, principalmente com quem dedica o precioso tempo da vida, à você e ao próximo.

"As pessoas sempre se esquecerão do que você lhes fez, ou do que lhes disse. Mas nunca esquecerão o modo pelo qual você as fez se sentir."

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mais uma crônica do Tião Martins

Pessoal, o Tião Martins publicou ontem, na sua coluna do jornal Hoje em Dia, mais uma crônica baseada aqui no blog...

Segue abaixo o texto do Tião, intitulado "Aninha e a liberdade de ser"


Curitiba, mais que Belo Horizonte, é cidade que só se deixa amar depois de certo tempo de convivência. Não é como o Rio ou Salvador, onde as portas parecem sempre abertas para quem vem de fora. Essa abertura é ilusória, mas encanta os turistas.
Nos início, a cidade dá a impressão de ser fechada, áspera e até hostil. E as pessoas também são desconfiadas. Tão desconfiadas quanto os mineiros e muito formais, distantes.
Entretanto, quando você supera esse teste de resistência, tudo muda: nascem boas amizades, você aprende os caminhos da cidade e, em breve, estará apaixonado pela Ópera de Arame, o Jardim Botânico, a Boca Maldita e a simpatia do povo.
Aconteceu tudo isso com Aninha Mineira. Hoje, nem a proximidade do inverno é capaz de assustá-la. Após trocar Nova Lima por Curitiba, ela corre até o risco de se casar com um paranaense e ficar por lá, apesar do frio.
A mudança geográfica, entretanto, não abala as convicções dessa menina e doutora, que despreza a mentira e o fingimento e não esconde isso de ninguém. E, exatamente por não esconder, leva o troco.
No seu blog, além de condenar a intolerância daqueles que não respeitam o pensamento e os sentimentos dos outros, ela confessa sua "dificuldade imensa" de se comportar de acordo com as expectativas alheias.
- Sempre tive fama de chata, metida e esnobe, só porque minhas atitudes refletem o que penso e sinto. Algumas vezes, sou excessivamente transparente. Desde criança. Eu me lembro de situações em que levei "puxões de orelha" da minha mãe por deixar transparecer que não tinha gostado de um presente. Sabe aquela careta totalmente espontânea? Pois era assim.
E ainda é. Por não ser Maria vai com as outras, Aninha se recusa a entrar na "ciranda" alheia e interpretar o papel de boazinha e conformada. Ela sabe que pagará um preço por não "fazer o social". E faz careta para as cobranças.
- Tenho dificuldade de viver em uma sociedade que valoriza mais a aparência que a competência ou o caráter de uma pessoa - ela anuncia no blog, mesmo sabendo que essa declaração pode lhe causar problemas.
Entretanto, é melhor que saibam logo como ela é, ainda que a interpretem mal.
Pior, bem pior, seria a opção por seguir as regras que a maioria tenta impor. Viveria infeliz e seria péssima atriz, por se violentar a cada dia. O esforço para ser como o bando quer é sempre fruto do medo. Medo da exclusão, da solidão e da discriminação social. Medo de fracassar como pessoa e personagem. Aninha não cultiva esse medo, que torna infelizes todos aqueles que fazem da vida um teatro.
- Uma das expressões que mais detesto é "não é de bom tom". E olha que escuto muito essa expressão, aqui no Sul. Tem horas que enche o saco ter que "fazer o social". E o pior (ou será que é o melhor?) é que não consigo enxergar isso como defeito meu. Acho que é um defeito da sociedade. Se as pessoas não se importassem tanto com aparências, ou com o "bom tom", poderíamos ser mais felizes.
Aninha não usa palavras de baixo calão, porque é moça fina. Mas o que ela diz é que bom tom é coisa de babaca. E os babacas sentem atração insuperável, fatal, uns pelos outros. O babaca reconhece outro a cem metros de distância. E, quando se unem, querem impor ao mundo as regras da babaquice. Resistindo à ditadura dos merdinhas e babacas, Aninha fala por todos nós.

Sobre pais

A voz do povo diz que "pai não é quem faz, pai é quem cria".
Considerando as minhas últimas experiências, posso acrescentar que "pai é quem cuida".
Em agosto de 2009, aos 29 anos, eu não sabia ainda o que era realmente ter um pai. O meu progenitor, aquele que me doou metade dos genes que deram origem à minha vida, nunca foi um pai de verdade. Ele nunca se importou com a minha saúde, com a minha felicidade, com os meus problemas, com a minha vida, enfim. Ele passou anos longe de mim e das minhas irmãs, e, quando eu já estava adulta, quase formada na universidade, ele resolveu nos procurar. Durante muitos anos carreguei mágoa em relação a ele, mas hoje ele simplesmente não me faz mais falta.
E, felizmente, encontrei um "pai postiço" que me dá atenção, cuida de mim, me dá bons conselhos, compartilha a sua vida comigo. É muito bom saber que tenho alguém com quem contar, especialmente morando longe da minha família que está em MG...
Velho Lobo, obrigada pelo seu carinho, pela sua atenção, pela sua presença. Obrigada por ter adotado essa mineirinha como se fosse realmente sua filha!!!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Há sempre um jeito mais fácil de levar a vida

"Reza a lenda que um monge, próximo de se aposentar, precisava encontrar um sucessor.
Entre seus discípulos, dois já haviam dado mostras de que eram os mais aptos, mas apenas um poderia sucedê-lo.
Para resolver o impasse, o mestre lançou um desafio, para colocar a sabedoria dos dois à prova: ambos receberiam alguns grãos de feijão que deveriam colocar dentro dos sapatos, para então empreender a subida de uma grande montanha.
Dia e hora marcados, começa a prova.
Nos primeiros quilômetros, um dos discípulos começou a mancar. No meio da subida, parou e tirou os sapatos. As bolhas em seus pés já sangravam, causando imensa dor. Ficou para trás, observando seu oponente sumir de vista.

Prova encerrada, todos de volta ao pé da montanha, para ouvir do monge o óbvio anúncio.
Após o festejo, o derrotado aproxima-se e pergunta como é que ele havia conseguido subir e descer com os feijões nos sapatos:
- Antes de colocá-los no sapato, eu os cozinhei - foi a resposta.
Carregando feijões ou problemas, há sempre um jeito mais fácil de levar a vida. 


Problemas são inevitáveis. Já a duração do sofrimento é você quem determina.

sábado, 14 de maio de 2011

Sublimação

"A mulher, muitas vezes, perde-se pelo excesso de vaidade, de orgulho, de ociosidade, de liberdade, de sentimentalismo doentio, de ignorância, de descrença em Deus, de desrespeito à família e a si própria... e atira-se no abismo de situações vexatórias para o seu Espírito, das quais só os séculos conseguirão arredá-la. Coração frágil e amoroso, sensibiliza-se facilmente com ilusões passageiras e, com o seu coração discricionário por natureza, prejudica-se e desgraça, muitas vezes, aqueles que mais a amam e aos que ela própria mais ama..."

(Leon Tolstoi, no livro "Sublimação", psicografado por Yvonne Pereira)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sobre o tempo e escolhas

Recebi o texto abaixo de uma amiga. Não sei quem é o autor, mas é um bom texto para nos fazer refletir sobre a vida que estamos levando...


O grande tema dessa mensagem é o tempo e as escolhas, o tempo que perdemos com coisas fúteis e as escolhas erradas que fazemos. Muitas vezes repetimos os mesmos erros, nos igualamos as pessoas que um dia nos magoaram, falamos muito das atitudes delas e nos esquecemos de fazer diferente, que agora somos donos de nosso tempo. Sempre é bom cuidar das nossas atitudes, observar se na busca desenfreada por sermos amados, não estamos nos expondo.

Acompanhar a evolução do mundo faz bem, desde que nossos valores não estejam sendo invertidos, nosso caráter não esteja sendo afetado por certos modernismos. Expor-se não é o caminho certo; demonstra fragilidade, carência afetiva, desequilíbrio emocional. Embrenhar-se por disputas emocionais, desvaloriza nossa postura tanto profissional como emocional, diante daqueles que nos tem como exemplo.

Erramos muitas vezes, mas precisamos aprender com nossos erros. Muitas vezes nos decepcionamos com nossos amigos, gostaríamos de ajudá-los, mas precisamos aprender que cabe a cada um optar por seus caminhos e ser responsável por estas opções. Criticamos nossos pais, mas nos pegamos cometendo os mesmos erros deles.


Lá fora há um mundo material se degladiando. Disputam-se homens e mulheres, qual o melhor corpo, qual o melhor partido financeiramente falando, ninguém está em busca de aventura, todos estão em busca de um relacionamento sério.

A velha história: " nada como um novo amor para curar a dor da perda de um velho amor:" Será que funciona mesmo? Se você não esta bem resolvido emocionalmente, o que vai passar para alguém? Suas frustrações, suas tristezas, suas ansiedades, vai colocar uma máscara de falsidade? Vai viver de mentiras? Vai fazer tudo de novo? Vai fazer para outros tudo o que fizeram você sofrer? Até quando vai o círculo vicioso? Uma sede insaciável de vingança, uma sucessão de fisionomias, para punir apenas uma. Age-se como uma bomba biológica, por onde passa contamina tudo com o vírus da vingança. Caminho complicado, escolha difícil, mas enfim, cada um sabe de si. São apenas meras observações. A vida é um palco e alguns atores nos oferecem a oportunidade em forma de peça com vários atos, devemos assistir em silêncio e tirar dela nossas lições...

Assim caminha a humanidade, mal termina-se um relacionamento e lá vão eles de cabeça na busca de outro, deixando atrás de si um rastro de lágrimas, de mágoas e ressentimentos. As feridas nem cicatrizaram e já estão sendo abertas outras, numa repetição sucessiva. Interessante o EGO humano, este comportamento humano. Na desculpa de buscar por um Amor, deixa-se uma leva de caídos. Voltando às raízes.


Quanto maior a "lista", melhor. Lista: colocar seres amados numa lista.

Será que quem ama de verdade, gosta de saber que faz parte de uma lista? Que é apenas um dígito na contabilidade amorosa? Mais soa como uma competição do que Amar de verdade.

Acredito que Amor não se comercializa, não se vende , não se expõe em vitrines, não se contabiliza, nem se compara, porque cada um é especial na sua forma de amar, iguais nas suas buscas, mas diferentes na escolha dos caminhos. Amor de verdade é incomparável.


A decadência emocional do ser humano é tão triste, não se valorizam mais os verdadeiros amigos, aqueles que estão sempre ao lado, quando os caminhos se estreitam, que oferecem não só o ombro, mas o braço inteiro para nos segurar quando tudo parece perdido. Aqueles amigos que tem tempo para ouvir, que se preciso for, deixam tudo de lado para nos sustentar, e que por isso não cobram nada, apenas carinho e respeito. E eles existem, são reais, fiéis, mas sem valor algum, são substituíveis....o grande defeito deles é ser verdadeiros, não saber alimentar o EGO...

O destino une e separa as pessoas, mas nenhuma força é tão grande para fazer esquecer pessoas que por algum motivo um dia nos fizeram felizes. Chega um momento na vida em que você sabe quem é importante para você, quem nunca foi, quem não é mais e quem o será sempre.


Chega-se a esta conclusão de maneira serena e consciente. Apenas observando e conhecendo quem realmente é digno de ser amado. Autêntico, aquela pessoa incrível que um dia tocou profundamente um coração.
TEMPO e ESCOLHAS...Somos livres para escolher os caminhos...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Vocabulário feminino (by Leila Ferreira)

Se eu tivesse que escolher uma palavra
- apenas uma -
para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje,
essa palavra seria um verbo de quatro sílabas:
descomplicar.
Depois de infinitas (e imensas) conquistas,
acho que está passando da hora de aprendermos
a viver com mais leveza:
exigir menos dos outros e de nós próprias,
cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa,
olhar menos para o espelho.

Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão
falada qualidade de vida que queremos - e merecemos - ter.

   Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial
da mulher moderna.
Amizade, por exemplo.
Acostumadas a concentrar nossos
sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas,
acabamos deixando as amigas em segundo plano.

E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher
quanto a convivência com as amigas.
Ir ao cinema com elas
(que gostam dos mesmos filmes que a gente),
sair sem ter hora para voltar,
compartilhar uma caipivodca de morango
e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes
- isso, sim, faz bem para a pele.

Para a alma, então, nem se fala.

Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez
(desligue o celular, se for preciso)
e desfrute os prazeres que só uma
boa amizade consegue proporcionar.

E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário
duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino:
pausa e silêncio.

Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos,
três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia
- não importa -
e a ficar em silêncio.

Essas pausas silenciosas nos permitem refletir,
contar até 100 antes de uma decisão importante,
entender melhor os próprios sentimentos,
reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso.

Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir.
Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão
de uma mulher mal-humorada.
Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas
do nosso dia a dia.
Se for preciso, pegue uma comédia na locadora,
preste atenção na conversa de duas crianças,
marque um encontro com aquela amiga engraçada
- faça qualquer coisa, mas ria.
O riso nos salva de nós mesmas,
cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.

Quanto à palavra dieta, cuidado:
mulheres que falam em regime o tempo
todo costumam ser péssimas companhias.

Deixe para discutir carboidratos
e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista.
Nas mesas de restaurantes, nem pensar.

Se for para ficar contando calorias,
descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa
do companheiro de mesa com reprovação e inveja,
melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface
e seu chá verde sozinha.

Uma sugestão?
Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que,
essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia:
gentileza.

Ter classe não é usar roupas de grife:
é ser delicada.
Saber se comportar
é infinitamente mais importante do que saber se vestir.

Resgate aquele velho exercício que anda esquecido:
aprenda a se colocar no lugar do outro,
e trate-o como você gostaria de ser tratada,
seja no trânsito, na fila do banco,
na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado,
na academia.

E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser
indissociáveis da vida:
sonhar e recomeçar.

Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia,
o curso que você ainda vai fazer, a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia (quem sabe?)
ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Richard Gere...
sonhar é quase fazer acontecer.
Sonhe até que aconteça.

E recomece, sempre que for preciso:
seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares.
A vida nos dá um espaço de manobra:
use-o para reinventar a si mesma.

E, por último
(agora, sim, encerrando),
risque do seu Aurélio a palavra perfeição.

O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades,
inseguranças, limites.

Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita,
a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo,
a esposa nota mil.

Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam,
bumbum que encara qualquer biquíni.
Mulheres reais são mulheres imperfeitas.
E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres.
Viver não é
(e nunca foi)
fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem
(e a busca da perfeição pesa toneladas),
a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.

domingo, 8 de maio de 2011

A primeira impressão é a que fica!!!

Não se engane: a primeira impressão é a que fica. E é aquela que realmente te diz muito sobre a pessoa. Acredite na sua intuição. Se você não foi "com a cara" da pessoa no primeiro contato, acredite nessa impressão.
Você pode até ir conhecendo melhor a pessoa, pode se surpreender com ela, mas nunca se esqueça da primeira impressão. Se a pessoa te pareceu arrogante, "dona do mundo", "senhora da verdade", acredite: qualquer hora ela vai te mostrar que ela realmente "se acha".
Infelizmente, a nossa primeira impressão é aquele nosso "anjinho da guarda" nos avisando: "fique de olho nesta pessoa. Ela não merece confiança."
E, mais cedo ou mais tarde, você vai perceber que seu anjinho só estava querendo o melhor para você...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Bom tom

Mais uma do Caio Fernando Abreu...

"Um dia tu vais compreender que não existe nenhuma pessoa completamente má, nenhuma pessoa completamente boa. Tu vais ver que todos nós somos apenas humanos. E sofrerás muito quando resolveres dizer só aquilo que pensas e fazer só aquilo que gostas. Aí, sim, todos te virarão as costas e te acharão mau por não quereres entrar na ciranda deles, compreendes?"

E eu fiquei pensando como as pessoas têm dificuldade em aceitar o que as outras pensam ou sentem... Sempre tive fama de chata, metida, esnobe, etc., porque as minhas atitudes refletem o que eu penso e o que eu sinto. Tenho uma dificuldade imensa de me comportar como as pessoas esperam que eu me comporte. Algumas vezes, sou excessivamente transparente. Desde criança. Eu me lembro de situações em que levei "puxões de orelha"da minha mãe por deixar transparecer que não tinha gostado de um presente (sabe aquela "careta" totalmente espontânea?). E esta é uma das situações mais simples... Apenas para exemplificar (rs). Tenho muita dificuldade em entrar na "ciranda" das outras pessoas. Tenho muita dificuldade em viver numa sociedade em que as aparências são tão importantes. Muitas vezes mais importantes do que a competência ou o caráter de uma pessoa.
 Uma das expressoes que mais detesto é "não é de bom tom" (e olha que escuto muito essa expressão aqui no Sul...). Tem horas que enche o saco ter que "fazer o social". E o pior (ou melhor?) é que eu não consigo enxergar isso como um defeito meu. Acho que é um defeito da sociedade. Se as pessoas não se importassem tanto com aparências, ou com o "bom tom", poderíamos ser mais felizes... Bem, pelo menos é isso que eu acho!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Caio Fernando Abreu

Acabei de abrir um "Conselho de Caio Fernando Abreu" no Facebook, e gostei do texto...

Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. É por ele que eu venho aqui, boy, quase... toda noite. Não por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia encontro.

domingo, 1 de maio de 2011

Mais uma de Rubem Alves

Ainda lendo "O Retorno e Terno", de Rubem Alves, gostei de um trecho da crônica "Entre o martelo e a bigorna"...

"E me veio então a curiosa ideia de que o Diabo é o encarregado do controle de qualidade do ser humano. Ele não acredita nas aparências. Vai descascando a gente como se fôssemos cebola, casca a casca, até chegar lá no interior escondido, para ver o que é que tem lá. Existirá algo? Ou será só o vazio? Pensei isto porque é precisamente isto que a dor faz: ela tira todas as cascas, destrói todos os supérfluos, até que só sobra, lá no fundo, aquilo além do que então se pode ir. E esta é a hora da verdade.
Por isto que parei de chamá-lo de Tentador - uma palavra carregada de sugestões morais, como se o seu negócio fosse enganar e lançar no inferno. Prefiro antes chamá-lo de Testador, aquele que nos faz passar pelo teste, que nos submete ao controle de qualidade para ver se, dentro da bela viola não existe só pão bolorento.
(...)
Só se sabe a verdade que mora dentro da gente quando a cebola chegou ao fim, e já não temos nenhum artifício de defesa, nenhum buraco onde nos esconder, nenhuma máscara de sorriso, nenhum desodorante que disfarce o mau cheiro, nenhuma barulheira de festa e de ação que nos distraia do encontro com o abismo."