Pessoal, o Tião Martins publicou ontem, na sua coluna do jornal Hoje em Dia, mais uma crônica baseada aqui no blog...
Segue abaixo o texto do Tião, intitulado "Aninha e a liberdade de ser"
Curitiba, mais que Belo Horizonte, é cidade que só se deixa amar depois de certo tempo de convivência. Não é como o Rio ou Salvador, onde as portas parecem sempre abertas para quem vem de fora. Essa abertura é ilusória, mas encanta os turistas.
Nos início, a cidade dá a impressão de ser fechada, áspera e até hostil. E as pessoas também são desconfiadas. Tão desconfiadas quanto os mineiros e muito formais, distantes.
Entretanto, quando você supera esse teste de resistência, tudo muda: nascem boas amizades, você aprende os caminhos da cidade e, em breve, estará apaixonado pela Ópera de Arame, o Jardim Botânico, a Boca Maldita e a simpatia do povo.
Aconteceu tudo isso com Aninha Mineira. Hoje, nem a proximidade do inverno é capaz de assustá-la. Após trocar Nova Lima por Curitiba, ela corre até o risco de se casar com um paranaense e ficar por lá, apesar do frio.
A mudança geográfica, entretanto, não abala as convicções dessa menina e doutora, que despreza a mentira e o fingimento e não esconde isso de ninguém. E, exatamente por não esconder, leva o troco.
No seu blog, além de condenar a intolerância daqueles que não respeitam o pensamento e os sentimentos dos outros, ela confessa sua "dificuldade imensa" de se comportar de acordo com as expectativas alheias.
- Sempre tive fama de chata, metida e esnobe, só porque minhas atitudes refletem o que penso e sinto. Algumas vezes, sou excessivamente transparente. Desde criança. Eu me lembro de situações em que levei "puxões de orelha" da minha mãe por deixar transparecer que não tinha gostado de um presente. Sabe aquela careta totalmente espontânea? Pois era assim.
E ainda é. Por não ser Maria vai com as outras, Aninha se recusa a entrar na "ciranda" alheia e interpretar o papel de boazinha e conformada. Ela sabe que pagará um preço por não "fazer o social". E faz careta para as cobranças.
- Tenho dificuldade de viver em uma sociedade que valoriza mais a aparência que a competência ou o caráter de uma pessoa - ela anuncia no blog, mesmo sabendo que essa declaração pode lhe causar problemas.
Entretanto, é melhor que saibam logo como ela é, ainda que a interpretem mal.
Pior, bem pior, seria a opção por seguir as regras que a maioria tenta impor. Viveria infeliz e seria péssima atriz, por se violentar a cada dia. O esforço para ser como o bando quer é sempre fruto do medo. Medo da exclusão, da solidão e da discriminação social. Medo de fracassar como pessoa e personagem. Aninha não cultiva esse medo, que torna infelizes todos aqueles que fazem da vida um teatro.
- Uma das expressões que mais detesto é "não é de bom tom". E olha que escuto muito essa expressão, aqui no Sul. Tem horas que enche o saco ter que "fazer o social". E o pior (ou será que é o melhor?) é que não consigo enxergar isso como defeito meu. Acho que é um defeito da sociedade. Se as pessoas não se importassem tanto com aparências, ou com o "bom tom", poderíamos ser mais felizes.
Aninha não usa palavras de baixo calão, porque é moça fina. Mas o que ela diz é que bom tom é coisa de babaca. E os babacas sentem atração insuperável, fatal, uns pelos outros. O babaca reconhece outro a cem metros de distância. E, quando se unem, querem impor ao mundo as regras da babaquice. Resistindo à ditadura dos merdinhas e babacas, Aninha fala por todos nós.
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