terça-feira, 22 de novembro de 2011

Crematório de cérebros (by Cristovam Buarque)

Recebi o texto abaixo por e-mail. O autor é Cristovam Buarque, um brasileiro que eu admiro muito. Concordo com ele em vários argumentos sobre a importância da educação, e sobre como ela poderia mudar o nosso país.


"Crematório de Cérebros"
É comum o horror diante da brutalidade de dirigentes que queimam livros e prendem ou matam intelectuais como o imperador chinês Shih Huang Ti, que, 210 anos antes de Cristo, decidiu queimar todos os livros e matar todos os estudiosos do seu império. Até hoje, a Inquisição horroriza o imaginário da humanidade pelo crime de destruir livros e matar intelectuais durante a Idade Média. Em Berlim, no campus da universidade Humboldt, há um local de reverência indignada no lugar onde Hitler queimou milhares de livros.
Mas não nos horrorizamos quando os livros são impedidos de ser escritos e os jovens de se transformarem em escritores.  Indignamo-nos com a queima de livros e a prisão de escritores, mas não com a incineração de cérebros como se faz no Brasil, ao negarmos educação ao povo. Pior do que queimadores de livros, somos incineradores de cérebros que escreveriam livros, se tivessem a chance de estudar. A história do Brasil é a história do impedimento de que livros sejam escritos e de que cientistas e intelectuais floresçam.
Quando os livros são queimados, alguns se salvam. Mas se eles não são escritos, não há o que salvar. Quando os escritores se salvam, eles escrevem outros livros, mas quando não aprendem a ler, queimam-se todos os livros que poderia escrever. 
O Brasil é um crematório de cérebros. 
Ao nascer, cada ser humano traz o imenso potencial de um cérebro vivo e virgem. Como um poço de energia a ser ainda construído: pela educação. No Brasil, treze por cento dos adultos são analfabetos, apenas trinta e cinco por cento concluem o ensino médio; destes, só a metade tem uma educação básica com qualidade acima da média. Portanto, se oitenta e dois por cento ficam impedidos de escrever, todos os livros que escreveriam são queimados antes de escritos. 
Como se o Brasil fosse um imenso crematório de inteligência. 
As conseqüências são perfeitamente perceptíveis: basta olhar a cara da escola pública no presente para ver a cara do País no futuro. Apesar de nossos quase 200 milhões de cérebros, o quinto maior potencial intelectual do mundo, o Brasil continuará a ser um país periférico na produção de conhecimento. Da mesma forma como a China regrediu intelectualmente depois de Shih Huang Ti; a Alemanha, com Hitler; a Península Ibérica, com a Inquisição; o Brasil está perdendo o potencial de seus cérebros. O resultado já é visível: ineficiência, atraso, violência, desemprego, desigualdade, tolerância com a corrupção e a contravenção. Um país dividido por um muro da desigualdade que separa pobres e ricos; e separado das nações desenvolvidas. 
Durante anos, falou-se no "decolar" da economia. Achava-se que para um país ter futuro bastava educar uma elite, um pequeno conjunto de profissionais superiores a serviço da economia. Formamos uma minoria no ensino superior, escolhida depois de rejeitar a imensa maioria na educação de base, e perdermos o potencial das dezenas de milhões deixadas para trás. 
Ou o Brasil se educa ou fracassa; ou educamos todos ou não teremos futuro, e a desigualdade continuará; ou desenvolvemos um potencial científico-tecnológico, ou ficamos para trás. Se a universidade é a fábrica do futuro, o ensino fundamental é a fábrica da universidade. Sem uma professora primária que lhe tivesse ensinado as primeiras letras e as quatro operações, Albert Einstein não teria se tornado cientista. Nossos prêmios Nobel morreram antes de aprender as quatro operações. Não podemos formar inteligências enquanto formos queimadores de cérebros. Não podemos melhorar a educação superior sem uma educação realmente universal e de qualidade para todos. 
Só o pleno desenvolvimento do imenso potencial da energia intelectual dos brasileiros permitirá derrubar o muro do atraso e o muro da desigualdade. Mas isso exige que o horror que sentimos com os estrangeiros que queimavam livros e sábios, seja transferido para nós próprios, incineradores de livros que não foram escritos, de doutores que morreram analfabetos. Incineradores de cérebros. 
 Cristovam Buarque
* Professor da Universidade de Brasília, Senador pelo PDT / DF.

Artigo publicado no jornal O Globo, no dia 27/10/2007
Cristovam Buarque *

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Só vou gostar de quem gosta de mim

Acho que eu deveria imprimir várias cópias desta música do Caetano, e colar em diversas partes da casa, do trabalho, no carro, etc., para ver se aprendo!!!


De hoje em diante
Eu vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante
Em que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E prá começar
Eu só vou gostar
De quem gosta de mim...
Não quero com isso
Dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela
Quando a gente ama
E tem um amor
Por isso é que eu vou mudar
Não quero ficar
Chorando até o fim
E prá não chorar
Eu só vou gostar
De quem gosta de mim...
Não vai ser fácil
Eu bem sei
Eu já procurei
Não encontrei meu bem
A vida é assim
Eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém...
De hoje em diante
Eu vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante
Em que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E prá começar
Eu só vou gostar
De quem gosta de mim...

domingo, 20 de novembro de 2011

Cobras


Publicada no facebook de uma colega, esta foto é extremamente adequada para as situações que venho enfrentando nos últimos dias...
As pessoas são competitivas por natureza. Eu também sou.
Mas eu acredito que o respeito e a honra devem estar acima de tudo.
Não suporto pessoas que "jogam baixo", que aproveitam de suas posições de poder para prejudicar as outras pessoas, ou para tirar proveito de situações em benefício próprio.
Essas são as cobras do dia-a-dia.
Na sua frente, são risonhas, educadas, dão até beijinho no rosto para te cumprimentar.
Mas é tudo falso. É tudo encenação.
As cobras não expressam o que realmente têm no coração.
Elas esperam o momento em que você esteja distraído para dar o bote.
Elas te hipnotizam, fazem você acreditar que estão levando a vidinha delas pacificamente e, quando você menos espera.... Nhac!
É. Não é nada fácil conviver com as cobras.
Mas, na minha opinião, esse tipo de gente me ensina, cada vez mais, o tipo de pessoa que eu NÃO quero ser.
Prefiro ter a consciência limpa e levar uns botes de vez em quando, do que ser aquela que dá o bote...

Tão longe de tudo

Eu simplesmente AMO esta música do Barão Vermelho. E ela reflete bem o que estou sentindo nos últimos dias...


Solidão amiga do peito
Me dê tudo que eu tenha por direito
Me diga, me ensina
Ao dormir não sinto medo
Há um sol, existe vida
Me trate com jeito
Eu tenho saída
Eu quero calor e o mundo é frio
Minha vaidade não enxerga o paraíso
Eu preciso de alguém pra fugir,
sem avisar ninguém
Não vou olhar pra trás
A saudade está morta
E já não me importa
Está longe demais
Longe demais de tudo
Eu estou longe demais
Longe demais de tudo
Eu estou longe demais
Tão perto de mim
Tão longe de tudo

sábado, 19 de novembro de 2011

MATANDO UM LEÃO POR DIA (Pierre Schurmann)

Em vez de matar um leão por dia, aprenda a amar o seu.
Outro dia, tive o privilégio de fazer algo que adoro: fui almoçar com um amigo, hoje chegando perto de seus 70 anos. Gosto disso. São raras as chances que temos de escutar suas histórias e absorver um pouco de sabedoria das pessoas que já passaram por grandes experiências nesta vida. Depois de um almoço longo, no qual falamos bem pouco de negócios mas muito sobre a vida, ele me perguntou sobre meus negócios.
Contei um pouco do que estava fazendo e, meio sem querer, disse a ele: - Pois é. Empresário, hoje, tem de matar um leão por dia.

Sua resposta, rápida e afiada, foi:  - Não mate seu leão. Você deveria mesmo era cuidar dele.

Fiquei surpreso com a resposta e ele provavelmente deve ter notado minha surpresa, pois me disse:

- Deixe-me lhe contar uma história que quero compartilhar com você. Existe um ditado popular antigo que diz que temos de "matar um leão por dia". E por muitos anos, eu acreditei nisso, e acordava todos os dias querendo encontrar o tal leão. A vida foi passando e muitas vezes me vi repetindo essa frase. Quando cheguei aos 50 anos, meus negócios já tinham crescido e precisava trabalhar um pouco menos, mas sempre me lembrava do tal leão Afinal, quem não se preocupa quando tem de matar um deles por dia?
Pois bem. Cheguei aos meus 60 e decidi que era hora de meus filhos começarem a tocar a firma. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que nenhum dos três estava preparado! A cada desafio que enfrentavam, parecia que iam desmoronar emocionalmente. Para minha tristeza, tive de voltar à frente dos negócios, até conseguir contratar alguém, que hoje é nosso diretor-geral. Este "fracasso" me fez pensar muito. O que fiz de errado no meu plano de sucessão? Hoje, do alto dos meus quase 70 anos, eu tenho uma suspeita: a culpa foi do leão.

Novamente, eu fiz cara de surpreso. O que o leão tinha a ver com a história?
Ele, olhando para o horizonte, como que tentando buscar um passado distante, me disse:

- É. Pode ser que a culpa não seja cem por cento do leão, mas fica mais fácil justificar dessa forma. Porque, desde quando meus filhos eram pequenos, dei tudo para eles. Uma educação excelente, oportunidade de morar no exterior, estágio em empresas de amigos. Mas, ao dar tudo a eles, esqueci-me de dar um leão para cada, que era o mais importante. Meu jovem, aprendi que somos o resultado de nossos desafios. Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos. Aprendi que, quanto mais bravo o leão, mais gratos temos de ser.
Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas a admirá-lo e a gostar dele. Que a metáfora é importante, mas errônea: não devemos matar um leão por dia, mas sim cuidar do nosso. Porque o dia em que o leão em nossas vidas morre, começamos a morrer junto com ele.

- Depois daquele dia, decidi aprender a amar o meu leão. E o que eram desafios se tornaram oportunidades para crescer, ser mais forte, e "me virar" nesta selva em que vivemos.

“A CAPACIDADE DE LUTA QUE HÁ EM VOCÊ, PRECISA DE ADVERSIDADES PARA REVELAR-SE.”

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Quem sabe um dia eu aprendo?

Lembra da última vez que conversamos sobre a gente? Eu me lembro perfeitamente... Estávamos procurando algum lugar para ir, você estava bêbado depois do jogo do Grêmio, e acabamos indo parar no Estofaria. Você repetiu que não queria nada sério, eu disse então que sairia da sua vida, e você pediu que eu ficasse.
Mas eu te disse que tinha estabelecido um prazo para mim mesma (como diria minha amiga Mônica, "a deadline"), uma data que seria o limite para nosso relacionamento continuar como estava.
Ou seja, apenas ficantes. A data era 22 de dezembro, a ideia era usar o velho ditado popular de "ano novo, vida nova". Ou entrava 2012 com um real relacionamento com você, ou sem você.
Apenas não existia a opção de continuar ficante.
Nos últimos tempos, eu me surpreendi positivamente, você estava mais carinhoso, mais atencioso, me evitava menos... Eu até pensei que a minha teimosia não seria em vão, que eu conseguiria conquistar você.
Sim, eu concordo com você quando você diz que sou teimosa. Talvez eu seja a pessoa mais teimosa da face da Terra.
Mas cansei.
Hoje eu percebi que não faço parte da sua vida. Eu continuo sendo um passatempo...
E eu quero (e mereço) ser mais do que isso. Se não posso ser para você, serei para alguém que queira...
O que mais dói é perceber que eu estava tão apaixonada que enganei a mim mesma, pensando que poderia ser diferente...
Mas, como você mesmo disse outro dia, você nunca me prometeu nada.
Se eu estou sofrendo, é por pura burrice minha mesmo...
Quem sabe um dia eu aprendo?

Coração apertado

Hoje o coração tá apertado...
Saudades das Minas Gerais, decepção com várias pessoas, dúvidas na vida pessoal, rasteiras, problemas, mesquinharias, convivência com gente "pequena"...
A vida é muito estranha. Quando as coisas parecem estar entrando nos eixos, vem um furacão (ou vários ventinhos encanados) e coloca tudo de pernas para o ar novamente...
Há mais ou menos uma semana, eu estava me sentindo muito feliz, como há muito tempo não me sentia... Aliás, nem sei se algum dia eu já tinha me sentido daquele jeito antes.
E hoje a única vontade que eu tenho é de chorar...
Não tô boa, não.
Vai passar, eu sei. Como tudo sempre passa.
Mas hoje está doendo...
Queria colo de mãe, carinho de irmã, lambida de Zuzu, Dadá e Vivi.
Eita, semaninha difícil... Ainda bem que está acabando!!!
O melhor é ir dormir, afinal, amanhã tenho que estar inteira para apresentar a minha conferência.
E vamos que vamos, buscando apoio na vida profissional, que sempre foi a que teve sucesso (apesar de toda inveja e cobras pelo caminho)...