segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Sábio Einstein...

Na sua estante (Pitty)

Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícias
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres e outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se
curam (não)
E essa abstinência uma hora vai passar

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Amores imperfeitos (by Skank)

Não precisa me lembrar
Não vou fugir de nada
Sinto muito se não fui feito um sonho seu
Mas sempre fica alguma coisa
Alguma roupa pra buscar
Eu posso afastar a mesa
Quando você precisar
Sei que amores imperfeitos
São as flores da estação
Eu não quero ver você
Passar a noite em claro
Sinto muito se não fui seu mais raro amor
E quando o dia terminar
E quando o sol se inclinar
Eu posso por uma toalha
E te servir o jantar
Sei que amores imperfeitos
São as flores da estação
Mentira se eu disser
Que não penso mais em você
E quantas páginas o amor já mereceu
Os filósofos não dizem nada
Que eu não possa dizer
Quantos versos sobre nós eu já guardei
Deixa a luz daquela sala acesa
E me peça pra voltar
Não precisa me lembrar
Não vou fugir de nada
Sinto muito se não fui feito um sonho seu
Sei que amores imperfeitos
São as flores da estação
Mentira se eu disser
Que não penso mais em você
E quantas páginas o amor já mereceu
Os filósofos não dizem nada
Que eu não possa dizer
Quantos versos sobre nós eu já guardei
Deixa a luz daquela sala acesa
E me peça pra voltar

sábado, 10 de dezembro de 2011

Também queria saber a resposta...

ENCERRANDO CICLOS (Fernando Pessoa)

Este texto é antigo e "batido", mas sempre vale a pena ser lido..

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? 
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu...
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. 
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora... Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. 
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. 
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". 
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és. E lembra-te: “Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão” 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pessoas especiais

As últimas semanas não tem sido fáceis. Vários problemas simultâneos, dúvidas profissionais, pessoais, ansiedade, nervosismo, stress, insônia... Ando à flor da pele.
Mas hoje, depois de uma manhã de MUITO stress, sapos engolidos, desabafo (dentro dos limites do "bom tom", afinal estou em Curitiba, né?), a sensação agora é de alívio.
Alívio por ter colocado pelo menos um pouco da raiva, da injustiça acumulada, para fora. Alívio por perceber que, por mais que muitas pessoas prefiram continuar sendo medíocres e falsas, eu posso ser (e sou) melhor do que tudo isso. Alívio por ter pessoas ao meu redor que fazem cada briga, cada stress, cada idiotice valer a pena.
Obrigada a todas as pessoas especiais que fazem parte da minha vida e me ajudam a suportar. Obrigada por oferecerem o colo, o ombro, os ouvidos e, principalmente, o carinho. Obrigada por tolerarem as minhas rabugices e os meus momentos difíceis (sim, eu sei, eu fico chata, choro à toa, falo sem parar...). Obrigada por cada sorriso e cada lágrima juntos.
Sempre, onde eu estiver, vocês estarão comigo, dentro do meu coração, e em cada lembrança boa construída enquanto estivemos juntos.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Crematório de cérebros (by Cristovam Buarque)

Recebi o texto abaixo por e-mail. O autor é Cristovam Buarque, um brasileiro que eu admiro muito. Concordo com ele em vários argumentos sobre a importância da educação, e sobre como ela poderia mudar o nosso país.


"Crematório de Cérebros"
É comum o horror diante da brutalidade de dirigentes que queimam livros e prendem ou matam intelectuais como o imperador chinês Shih Huang Ti, que, 210 anos antes de Cristo, decidiu queimar todos os livros e matar todos os estudiosos do seu império. Até hoje, a Inquisição horroriza o imaginário da humanidade pelo crime de destruir livros e matar intelectuais durante a Idade Média. Em Berlim, no campus da universidade Humboldt, há um local de reverência indignada no lugar onde Hitler queimou milhares de livros.
Mas não nos horrorizamos quando os livros são impedidos de ser escritos e os jovens de se transformarem em escritores.  Indignamo-nos com a queima de livros e a prisão de escritores, mas não com a incineração de cérebros como se faz no Brasil, ao negarmos educação ao povo. Pior do que queimadores de livros, somos incineradores de cérebros que escreveriam livros, se tivessem a chance de estudar. A história do Brasil é a história do impedimento de que livros sejam escritos e de que cientistas e intelectuais floresçam.
Quando os livros são queimados, alguns se salvam. Mas se eles não são escritos, não há o que salvar. Quando os escritores se salvam, eles escrevem outros livros, mas quando não aprendem a ler, queimam-se todos os livros que poderia escrever. 
O Brasil é um crematório de cérebros. 
Ao nascer, cada ser humano traz o imenso potencial de um cérebro vivo e virgem. Como um poço de energia a ser ainda construído: pela educação. No Brasil, treze por cento dos adultos são analfabetos, apenas trinta e cinco por cento concluem o ensino médio; destes, só a metade tem uma educação básica com qualidade acima da média. Portanto, se oitenta e dois por cento ficam impedidos de escrever, todos os livros que escreveriam são queimados antes de escritos. 
Como se o Brasil fosse um imenso crematório de inteligência. 
As conseqüências são perfeitamente perceptíveis: basta olhar a cara da escola pública no presente para ver a cara do País no futuro. Apesar de nossos quase 200 milhões de cérebros, o quinto maior potencial intelectual do mundo, o Brasil continuará a ser um país periférico na produção de conhecimento. Da mesma forma como a China regrediu intelectualmente depois de Shih Huang Ti; a Alemanha, com Hitler; a Península Ibérica, com a Inquisição; o Brasil está perdendo o potencial de seus cérebros. O resultado já é visível: ineficiência, atraso, violência, desemprego, desigualdade, tolerância com a corrupção e a contravenção. Um país dividido por um muro da desigualdade que separa pobres e ricos; e separado das nações desenvolvidas. 
Durante anos, falou-se no "decolar" da economia. Achava-se que para um país ter futuro bastava educar uma elite, um pequeno conjunto de profissionais superiores a serviço da economia. Formamos uma minoria no ensino superior, escolhida depois de rejeitar a imensa maioria na educação de base, e perdermos o potencial das dezenas de milhões deixadas para trás. 
Ou o Brasil se educa ou fracassa; ou educamos todos ou não teremos futuro, e a desigualdade continuará; ou desenvolvemos um potencial científico-tecnológico, ou ficamos para trás. Se a universidade é a fábrica do futuro, o ensino fundamental é a fábrica da universidade. Sem uma professora primária que lhe tivesse ensinado as primeiras letras e as quatro operações, Albert Einstein não teria se tornado cientista. Nossos prêmios Nobel morreram antes de aprender as quatro operações. Não podemos formar inteligências enquanto formos queimadores de cérebros. Não podemos melhorar a educação superior sem uma educação realmente universal e de qualidade para todos. 
Só o pleno desenvolvimento do imenso potencial da energia intelectual dos brasileiros permitirá derrubar o muro do atraso e o muro da desigualdade. Mas isso exige que o horror que sentimos com os estrangeiros que queimavam livros e sábios, seja transferido para nós próprios, incineradores de livros que não foram escritos, de doutores que morreram analfabetos. Incineradores de cérebros. 
 Cristovam Buarque
* Professor da Universidade de Brasília, Senador pelo PDT / DF.

Artigo publicado no jornal O Globo, no dia 27/10/2007
Cristovam Buarque *

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Só vou gostar de quem gosta de mim

Acho que eu deveria imprimir várias cópias desta música do Caetano, e colar em diversas partes da casa, do trabalho, no carro, etc., para ver se aprendo!!!


De hoje em diante
Eu vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante
Em que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E prá começar
Eu só vou gostar
De quem gosta de mim...
Não quero com isso
Dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela
Quando a gente ama
E tem um amor
Por isso é que eu vou mudar
Não quero ficar
Chorando até o fim
E prá não chorar
Eu só vou gostar
De quem gosta de mim...
Não vai ser fácil
Eu bem sei
Eu já procurei
Não encontrei meu bem
A vida é assim
Eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém...
De hoje em diante
Eu vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante
Em que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E prá começar
Eu só vou gostar
De quem gosta de mim...

domingo, 20 de novembro de 2011

Cobras


Publicada no facebook de uma colega, esta foto é extremamente adequada para as situações que venho enfrentando nos últimos dias...
As pessoas são competitivas por natureza. Eu também sou.
Mas eu acredito que o respeito e a honra devem estar acima de tudo.
Não suporto pessoas que "jogam baixo", que aproveitam de suas posições de poder para prejudicar as outras pessoas, ou para tirar proveito de situações em benefício próprio.
Essas são as cobras do dia-a-dia.
Na sua frente, são risonhas, educadas, dão até beijinho no rosto para te cumprimentar.
Mas é tudo falso. É tudo encenação.
As cobras não expressam o que realmente têm no coração.
Elas esperam o momento em que você esteja distraído para dar o bote.
Elas te hipnotizam, fazem você acreditar que estão levando a vidinha delas pacificamente e, quando você menos espera.... Nhac!
É. Não é nada fácil conviver com as cobras.
Mas, na minha opinião, esse tipo de gente me ensina, cada vez mais, o tipo de pessoa que eu NÃO quero ser.
Prefiro ter a consciência limpa e levar uns botes de vez em quando, do que ser aquela que dá o bote...

Tão longe de tudo

Eu simplesmente AMO esta música do Barão Vermelho. E ela reflete bem o que estou sentindo nos últimos dias...


Solidão amiga do peito
Me dê tudo que eu tenha por direito
Me diga, me ensina
Ao dormir não sinto medo
Há um sol, existe vida
Me trate com jeito
Eu tenho saída
Eu quero calor e o mundo é frio
Minha vaidade não enxerga o paraíso
Eu preciso de alguém pra fugir,
sem avisar ninguém
Não vou olhar pra trás
A saudade está morta
E já não me importa
Está longe demais
Longe demais de tudo
Eu estou longe demais
Longe demais de tudo
Eu estou longe demais
Tão perto de mim
Tão longe de tudo

sábado, 19 de novembro de 2011

MATANDO UM LEÃO POR DIA (Pierre Schurmann)

Em vez de matar um leão por dia, aprenda a amar o seu.
Outro dia, tive o privilégio de fazer algo que adoro: fui almoçar com um amigo, hoje chegando perto de seus 70 anos. Gosto disso. São raras as chances que temos de escutar suas histórias e absorver um pouco de sabedoria das pessoas que já passaram por grandes experiências nesta vida. Depois de um almoço longo, no qual falamos bem pouco de negócios mas muito sobre a vida, ele me perguntou sobre meus negócios.
Contei um pouco do que estava fazendo e, meio sem querer, disse a ele: - Pois é. Empresário, hoje, tem de matar um leão por dia.

Sua resposta, rápida e afiada, foi:  - Não mate seu leão. Você deveria mesmo era cuidar dele.

Fiquei surpreso com a resposta e ele provavelmente deve ter notado minha surpresa, pois me disse:

- Deixe-me lhe contar uma história que quero compartilhar com você. Existe um ditado popular antigo que diz que temos de "matar um leão por dia". E por muitos anos, eu acreditei nisso, e acordava todos os dias querendo encontrar o tal leão. A vida foi passando e muitas vezes me vi repetindo essa frase. Quando cheguei aos 50 anos, meus negócios já tinham crescido e precisava trabalhar um pouco menos, mas sempre me lembrava do tal leão Afinal, quem não se preocupa quando tem de matar um deles por dia?
Pois bem. Cheguei aos meus 60 e decidi que era hora de meus filhos começarem a tocar a firma. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que nenhum dos três estava preparado! A cada desafio que enfrentavam, parecia que iam desmoronar emocionalmente. Para minha tristeza, tive de voltar à frente dos negócios, até conseguir contratar alguém, que hoje é nosso diretor-geral. Este "fracasso" me fez pensar muito. O que fiz de errado no meu plano de sucessão? Hoje, do alto dos meus quase 70 anos, eu tenho uma suspeita: a culpa foi do leão.

Novamente, eu fiz cara de surpreso. O que o leão tinha a ver com a história?
Ele, olhando para o horizonte, como que tentando buscar um passado distante, me disse:

- É. Pode ser que a culpa não seja cem por cento do leão, mas fica mais fácil justificar dessa forma. Porque, desde quando meus filhos eram pequenos, dei tudo para eles. Uma educação excelente, oportunidade de morar no exterior, estágio em empresas de amigos. Mas, ao dar tudo a eles, esqueci-me de dar um leão para cada, que era o mais importante. Meu jovem, aprendi que somos o resultado de nossos desafios. Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos. Aprendi que, quanto mais bravo o leão, mais gratos temos de ser.
Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas a admirá-lo e a gostar dele. Que a metáfora é importante, mas errônea: não devemos matar um leão por dia, mas sim cuidar do nosso. Porque o dia em que o leão em nossas vidas morre, começamos a morrer junto com ele.

- Depois daquele dia, decidi aprender a amar o meu leão. E o que eram desafios se tornaram oportunidades para crescer, ser mais forte, e "me virar" nesta selva em que vivemos.

“A CAPACIDADE DE LUTA QUE HÁ EM VOCÊ, PRECISA DE ADVERSIDADES PARA REVELAR-SE.”

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Quem sabe um dia eu aprendo?

Lembra da última vez que conversamos sobre a gente? Eu me lembro perfeitamente... Estávamos procurando algum lugar para ir, você estava bêbado depois do jogo do Grêmio, e acabamos indo parar no Estofaria. Você repetiu que não queria nada sério, eu disse então que sairia da sua vida, e você pediu que eu ficasse.
Mas eu te disse que tinha estabelecido um prazo para mim mesma (como diria minha amiga Mônica, "a deadline"), uma data que seria o limite para nosso relacionamento continuar como estava.
Ou seja, apenas ficantes. A data era 22 de dezembro, a ideia era usar o velho ditado popular de "ano novo, vida nova". Ou entrava 2012 com um real relacionamento com você, ou sem você.
Apenas não existia a opção de continuar ficante.
Nos últimos tempos, eu me surpreendi positivamente, você estava mais carinhoso, mais atencioso, me evitava menos... Eu até pensei que a minha teimosia não seria em vão, que eu conseguiria conquistar você.
Sim, eu concordo com você quando você diz que sou teimosa. Talvez eu seja a pessoa mais teimosa da face da Terra.
Mas cansei.
Hoje eu percebi que não faço parte da sua vida. Eu continuo sendo um passatempo...
E eu quero (e mereço) ser mais do que isso. Se não posso ser para você, serei para alguém que queira...
O que mais dói é perceber que eu estava tão apaixonada que enganei a mim mesma, pensando que poderia ser diferente...
Mas, como você mesmo disse outro dia, você nunca me prometeu nada.
Se eu estou sofrendo, é por pura burrice minha mesmo...
Quem sabe um dia eu aprendo?

Coração apertado

Hoje o coração tá apertado...
Saudades das Minas Gerais, decepção com várias pessoas, dúvidas na vida pessoal, rasteiras, problemas, mesquinharias, convivência com gente "pequena"...
A vida é muito estranha. Quando as coisas parecem estar entrando nos eixos, vem um furacão (ou vários ventinhos encanados) e coloca tudo de pernas para o ar novamente...
Há mais ou menos uma semana, eu estava me sentindo muito feliz, como há muito tempo não me sentia... Aliás, nem sei se algum dia eu já tinha me sentido daquele jeito antes.
E hoje a única vontade que eu tenho é de chorar...
Não tô boa, não.
Vai passar, eu sei. Como tudo sempre passa.
Mas hoje está doendo...
Queria colo de mãe, carinho de irmã, lambida de Zuzu, Dadá e Vivi.
Eita, semaninha difícil... Ainda bem que está acabando!!!
O melhor é ir dormir, afinal, amanhã tenho que estar inteira para apresentar a minha conferência.
E vamos que vamos, buscando apoio na vida profissional, que sempre foi a que teve sucesso (apesar de toda inveja e cobras pelo caminho)...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

À procura de espaço na vida dele

Uma amiga minha publicou este texto na página dela no Facebook. Não sei quem é o autor, mas, apesar de ser um texto longo, vale a pena ser lido. Aliás, vale a pena ser lido várias vezes, para ver se aprendemos... hehe

Um dos maiores equívocos que tenho visto ser cometido por muitas mulheres é a urgência em oficializar a relação, e com isso tentar maiores garantias do quanto é amada e se sentir segura no novo vínculo. Acontece que essa urgência pode se tornar inimiga do casal uma vez que ela atropela etapas fundamentais que garantem a solidez do relacionamento.

Inúmeras são as mulheres que se queixam dos ...homens que fogem quando elas se declaram, que se distanciam quando elas tentam a todo custo se aproximar ou que rompem quando elas estavam apaixonadas. Não compreendem o que aconteceu já que tudo parecia ir tão bem, não percebem sua parcela de contribuição para o desfecho inesperado.

Chegam e-mails de moças que se consideram românticas e se surpreendem quando, ao demonstrar o que sentem, os homens finalizam a relação. Quando escrevem o que fazem fica bastante claro que não são verdadeiramente românticas como imaginam e sim, muitas vezes, invasivas, inseguras ou controladoras. Tentam a todo modo, ainda que não percebam suas atitudes, um espaço certo e seguro na vida do companheiro e se tornam consequentemente desinteressantes de se ter ao lado.

É preciso fazer uma volta ao passado e relembrar como acontece esse aspecto das relações desde o momento em que se nasce até a vida adulta.

Num primeiro momento (tudo correndo bem) os pais receberão seu desejado bebê e abrirão naturalmente para ele um espaço enorme em suas vidas, essa será a primeira experiência de entrar na vida de alguém, uma vivência de bastante onipotência.

Mais adiante, já tendo se tornado um ser de certa autonomia e vivendo no mundo com a percepção de que existe o EU e o OUTRO, cada um com sua própria personalidade e características, uma outra experiência acontecerá, que será a de troca, empatia, aceitação de diferenças e um ensaio de como deixar que entrem em sua vida, assim como conseguir entrar no mundo de uma outra pessoa.

À medida que esse sujeito cresce a dinâmica das relações se torna ainda mais complexa e novos fatores passam a interferir nesse processo. Estar na vida do outro será cada vez mais uma conquista e não algo já esperado, é uma conquista dentro de uma relação.

Muitas pessoas pararam na sua onipotência infantil e sem que percebam reproduzem essa primeira experiência assumindo que deverão ser aceitas e bem vindas facilmente sempre que assim considerarem correto. Não percebem que do lado de fora existe uma outra pessoa, com sentimentos próprios e com limites demarcados e que abrirá suas portas quando e se desejar. De nada adianta insistir para pertencer ao mundo do companheiro se ele mesmo não tiver esse desejo, se não for uma vontade mútua e se não souberem respeitar os limites entre a dupla.

Tanto uma mulher quanto um homem precisam entender que a entrada no mundo um do outro é um processo natural e espontâneo que não acontece com base na insistência. Dessa forma, o que se conquista é o distanciamento e a falta de interesse.

Alguém para ser interessante precisa saber seus limites, respeitar os do outro, se valorizar, ser cuidadoso, não invadir, abrir mão da tentativa de controlar o que o outro sente, transmitir segurança na própria vida, se apresentar como um ser à parte que deseja coexistir, ou seja existir na troca, em parceria e não fazendo do mundo do outro uma casa onde será acolhido e cuidado.

O espaço na vida de alguém é uma conquista e muitas vezes o mais óbvio e simples é o mais difícil de ser feito, como nesse caso onde é fundamental que se tenha uma clara percepção de que existe o OUTRO e não apenas alguém que será como você quer e espera (e vice-versa) e não apenas o seu desejo para ser atendido.

Fundamental que se deixe de lado a onipotência que faz o funcionamento infantil e que se assuma uma postura adulta de respeito e troca. O espaço virá no momento em que conseguirem encontrar ou construir uma relação onde os dois lados possam ser vistos, considerados e respeitados.

domingo, 25 de setembro de 2011

Socorro

http://www.youtube.com/watch?v=rjZfK4htwag


Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir...
Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...
Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...
Socorro!
Alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento
Acostamento, encruzilhada
Socorro! Eu já não sinto nada...
Socorro!
Não estou sentindo nada [nada]
Nem medo, nem calor, nem fogo
Nem vontade de chorar
Nem de rir...
Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Eu Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...
Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate
Nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...

domingo, 7 de agosto de 2011


" O contrário do amor não é o ódio, é a indiferença. Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor...Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada."

terça-feira, 19 de julho de 2011

De volta pra casa

Nossa, há mais de um mês não publico nada aqui... Estive fora do Brasil, e qualquer hora vou postar minha visão sobre a viagem e sobre a Europa.

Mas, por enquanto, segue um texto que recebi por e-mail e gostei muito:

Casa Arrumada

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
 

Casa arrumada  é assim:
 
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

 

"A VIDA é uma pedra de amolar; desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos." 

domingo, 5 de junho de 2011

Um texto de Martha Medeiros

           Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo:
"Olha, não dá mais!". 
Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo?
Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: "mas agora eu to comendo um lanche com amigos".
Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim? Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema.
Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta.
E sabe o que aconteceu?
Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia.
Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito.
Decidi ser uma mulher mais feliz, afinal, quando você é feliz com você mesma, você não põe toda a sua felicidade no outro e tudo fica mais leve. Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu.
Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos e filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi que eu tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim.
Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida.
Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.
Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris.
Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar.
Resultado disso tudo: silêncio absoluto.
O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.
Até que algo sensacional aconteceu. Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher demais para ele. 
Ele quem mesmo?
 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Gente

O post de hoje é bem breve:


1. Eu definitivamente desisto de entender as pessoas.
2. Existe muita gente estranha neste mundo...

terça-feira, 31 de maio de 2011

O sotaque das mineiras

Não sei quem é o autor, mas esse texto é muito legal...


"O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Afinal,se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo das moças de Minas ficou de fora?
Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ‘ouvi-la faz mal à saúde’. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: ‘só isso?’. Assino, achando que ela me faz um favor.
Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.
Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas… Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho. Não dizem: pode parar, dizem: ‘pó parar’ Não dizem: onde eu estou?, dizem: ‘onde queu tô.’
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem -lingüisticamente falando – apenas de uais, trens e sôs.
Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro – metaforicamente falando, claro – ele é bom de serviço. Faz sentido…
Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar praoutra: ‘cê tá boa?’ Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário. …
Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: – Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc..) O verbo ‘mexer’, para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: ‘- Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.’
Esse ‘aqui’ é outra delícia que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer ‘olá, me escutem, por favor’. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.
Mineiras não dizem ‘apaixonado por’. Dizem, sabe-se lá por que, ‘apaixonado com’. Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: ‘Ah, eu apaixonei com ele…’. Ou: ‘sou doida com ele’ (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro).
Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas.
Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: – ‘Eu preciso de ir.’ Onde os mineiros arrumaram esse ‘de’, aí no meio, é uma boa pergunta.. Só não me perguntem! Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório.
No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará :’- Ai, gente, que dó.’
É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras… Não vem caçar confusão pro meu lado! Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro ‘caça confusão’. Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele ‘vive caçando confusão’.
Ah, e tem o ‘Capaz….’ Se você propõe algo a uma mineira, ela diz: ‘capaz’ !!! Vocês já ouviram esse ‘capaz’? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer ‘ce acha que eu faço isso’!? com algumas toneladas de ironia.. Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: ‘ô dó dôcê’. Entendeu? Não? Deixa para lá.
É parecido com o ‘nem..’.Já ouviu o nem…’? Completo ele fica: ‘- Ah, nem….’ O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: ‘Meu amor, Cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?’. Resposta: ‘nem….’ Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?
Preciso confessar algo: minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras. Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.
Se você, em conversa, falar: ‘Ah, fui lá comprar umas coisas…’.. – Que’ s coisa? – ela retrucará. O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o ‘que’!
Ouvi de uma menina culta um ‘pelas metade’, no lugar de ‘pela metade’. E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará: – Ele pôs a culpa ‘ni mim’.
A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas… Ontem , uma senhora docemente me consolou: ‘preocupa não, bobo!’.. E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras. nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: ‘não se preocupe’, ou algo assim. Fórmula mineira é sintética. e diz tudo.
Até o tchau, em Minas, é personalizado. Ninguém diz tchau, pura e simplesmente. Aqui se diz: ‘tchau pro cê’, ‘tchau pro cês’. É útil deixar claro o destinatário do tchau…"

sábado, 28 de maio de 2011

Torradas queimadas (desconheço o autor)

Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar.
E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho, muito duro.


Naquela noite, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas bastantes queimadas, defronte ao meu pai.

Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato.

Tudo o que meu pai fez, foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia, na escola.

Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada bocado.

Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada.

E eu nunca esquecerei o que ele disse: " - Adorei a torrada queimada..."

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, eu lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada.

Ele me envolveu em seus braços e me disse:

" - Companheiro, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada... Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou o melhor marido, empregado, ou cozinheiro, talvez nem o melhor pai, mesmo que tente todos os dias!"

O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros. Desde que eu e sua mãe nos unimos, aprendemos, os dois, a suprir um as falhas do outro. Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de alumínio brilhando. Ela não sabe usar a furadeira, mas após minhas reformas, ela faz tudo ficar cheiroso, de tão limpo. Eu não sei fazer uma lasanha como ela, mas ela não sabe assar uma carne como eu. Eu nunca soube fazer você dormir, mas comigo você tomava banho rápido, sem reclamar.


A soma de nós dois monta o mundo que você recebeu e que te apoia, eu e ela nos completamos. Nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto temos os dois presentes.

Não que mais tarde, o dia que um partir, este Mundo vá desmoronar, não vai. Novamente teremos que aprender e nos adaptar para fazer o melhor.
De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas e com amigos. Então filho, se esforce para ser sempre tolerante, principalmente com quem dedica o precioso tempo da vida, à você e ao próximo.

"As pessoas sempre se esquecerão do que você lhes fez, ou do que lhes disse. Mas nunca esquecerão o modo pelo qual você as fez se sentir."

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mais uma crônica do Tião Martins

Pessoal, o Tião Martins publicou ontem, na sua coluna do jornal Hoje em Dia, mais uma crônica baseada aqui no blog...

Segue abaixo o texto do Tião, intitulado "Aninha e a liberdade de ser"


Curitiba, mais que Belo Horizonte, é cidade que só se deixa amar depois de certo tempo de convivência. Não é como o Rio ou Salvador, onde as portas parecem sempre abertas para quem vem de fora. Essa abertura é ilusória, mas encanta os turistas.
Nos início, a cidade dá a impressão de ser fechada, áspera e até hostil. E as pessoas também são desconfiadas. Tão desconfiadas quanto os mineiros e muito formais, distantes.
Entretanto, quando você supera esse teste de resistência, tudo muda: nascem boas amizades, você aprende os caminhos da cidade e, em breve, estará apaixonado pela Ópera de Arame, o Jardim Botânico, a Boca Maldita e a simpatia do povo.
Aconteceu tudo isso com Aninha Mineira. Hoje, nem a proximidade do inverno é capaz de assustá-la. Após trocar Nova Lima por Curitiba, ela corre até o risco de se casar com um paranaense e ficar por lá, apesar do frio.
A mudança geográfica, entretanto, não abala as convicções dessa menina e doutora, que despreza a mentira e o fingimento e não esconde isso de ninguém. E, exatamente por não esconder, leva o troco.
No seu blog, além de condenar a intolerância daqueles que não respeitam o pensamento e os sentimentos dos outros, ela confessa sua "dificuldade imensa" de se comportar de acordo com as expectativas alheias.
- Sempre tive fama de chata, metida e esnobe, só porque minhas atitudes refletem o que penso e sinto. Algumas vezes, sou excessivamente transparente. Desde criança. Eu me lembro de situações em que levei "puxões de orelha" da minha mãe por deixar transparecer que não tinha gostado de um presente. Sabe aquela careta totalmente espontânea? Pois era assim.
E ainda é. Por não ser Maria vai com as outras, Aninha se recusa a entrar na "ciranda" alheia e interpretar o papel de boazinha e conformada. Ela sabe que pagará um preço por não "fazer o social". E faz careta para as cobranças.
- Tenho dificuldade de viver em uma sociedade que valoriza mais a aparência que a competência ou o caráter de uma pessoa - ela anuncia no blog, mesmo sabendo que essa declaração pode lhe causar problemas.
Entretanto, é melhor que saibam logo como ela é, ainda que a interpretem mal.
Pior, bem pior, seria a opção por seguir as regras que a maioria tenta impor. Viveria infeliz e seria péssima atriz, por se violentar a cada dia. O esforço para ser como o bando quer é sempre fruto do medo. Medo da exclusão, da solidão e da discriminação social. Medo de fracassar como pessoa e personagem. Aninha não cultiva esse medo, que torna infelizes todos aqueles que fazem da vida um teatro.
- Uma das expressões que mais detesto é "não é de bom tom". E olha que escuto muito essa expressão, aqui no Sul. Tem horas que enche o saco ter que "fazer o social". E o pior (ou será que é o melhor?) é que não consigo enxergar isso como defeito meu. Acho que é um defeito da sociedade. Se as pessoas não se importassem tanto com aparências, ou com o "bom tom", poderíamos ser mais felizes.
Aninha não usa palavras de baixo calão, porque é moça fina. Mas o que ela diz é que bom tom é coisa de babaca. E os babacas sentem atração insuperável, fatal, uns pelos outros. O babaca reconhece outro a cem metros de distância. E, quando se unem, querem impor ao mundo as regras da babaquice. Resistindo à ditadura dos merdinhas e babacas, Aninha fala por todos nós.

Sobre pais

A voz do povo diz que "pai não é quem faz, pai é quem cria".
Considerando as minhas últimas experiências, posso acrescentar que "pai é quem cuida".
Em agosto de 2009, aos 29 anos, eu não sabia ainda o que era realmente ter um pai. O meu progenitor, aquele que me doou metade dos genes que deram origem à minha vida, nunca foi um pai de verdade. Ele nunca se importou com a minha saúde, com a minha felicidade, com os meus problemas, com a minha vida, enfim. Ele passou anos longe de mim e das minhas irmãs, e, quando eu já estava adulta, quase formada na universidade, ele resolveu nos procurar. Durante muitos anos carreguei mágoa em relação a ele, mas hoje ele simplesmente não me faz mais falta.
E, felizmente, encontrei um "pai postiço" que me dá atenção, cuida de mim, me dá bons conselhos, compartilha a sua vida comigo. É muito bom saber que tenho alguém com quem contar, especialmente morando longe da minha família que está em MG...
Velho Lobo, obrigada pelo seu carinho, pela sua atenção, pela sua presença. Obrigada por ter adotado essa mineirinha como se fosse realmente sua filha!!!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Há sempre um jeito mais fácil de levar a vida

"Reza a lenda que um monge, próximo de se aposentar, precisava encontrar um sucessor.
Entre seus discípulos, dois já haviam dado mostras de que eram os mais aptos, mas apenas um poderia sucedê-lo.
Para resolver o impasse, o mestre lançou um desafio, para colocar a sabedoria dos dois à prova: ambos receberiam alguns grãos de feijão que deveriam colocar dentro dos sapatos, para então empreender a subida de uma grande montanha.
Dia e hora marcados, começa a prova.
Nos primeiros quilômetros, um dos discípulos começou a mancar. No meio da subida, parou e tirou os sapatos. As bolhas em seus pés já sangravam, causando imensa dor. Ficou para trás, observando seu oponente sumir de vista.

Prova encerrada, todos de volta ao pé da montanha, para ouvir do monge o óbvio anúncio.
Após o festejo, o derrotado aproxima-se e pergunta como é que ele havia conseguido subir e descer com os feijões nos sapatos:
- Antes de colocá-los no sapato, eu os cozinhei - foi a resposta.
Carregando feijões ou problemas, há sempre um jeito mais fácil de levar a vida. 


Problemas são inevitáveis. Já a duração do sofrimento é você quem determina.

sábado, 14 de maio de 2011

Sublimação

"A mulher, muitas vezes, perde-se pelo excesso de vaidade, de orgulho, de ociosidade, de liberdade, de sentimentalismo doentio, de ignorância, de descrença em Deus, de desrespeito à família e a si própria... e atira-se no abismo de situações vexatórias para o seu Espírito, das quais só os séculos conseguirão arredá-la. Coração frágil e amoroso, sensibiliza-se facilmente com ilusões passageiras e, com o seu coração discricionário por natureza, prejudica-se e desgraça, muitas vezes, aqueles que mais a amam e aos que ela própria mais ama..."

(Leon Tolstoi, no livro "Sublimação", psicografado por Yvonne Pereira)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sobre o tempo e escolhas

Recebi o texto abaixo de uma amiga. Não sei quem é o autor, mas é um bom texto para nos fazer refletir sobre a vida que estamos levando...


O grande tema dessa mensagem é o tempo e as escolhas, o tempo que perdemos com coisas fúteis e as escolhas erradas que fazemos. Muitas vezes repetimos os mesmos erros, nos igualamos as pessoas que um dia nos magoaram, falamos muito das atitudes delas e nos esquecemos de fazer diferente, que agora somos donos de nosso tempo. Sempre é bom cuidar das nossas atitudes, observar se na busca desenfreada por sermos amados, não estamos nos expondo.

Acompanhar a evolução do mundo faz bem, desde que nossos valores não estejam sendo invertidos, nosso caráter não esteja sendo afetado por certos modernismos. Expor-se não é o caminho certo; demonstra fragilidade, carência afetiva, desequilíbrio emocional. Embrenhar-se por disputas emocionais, desvaloriza nossa postura tanto profissional como emocional, diante daqueles que nos tem como exemplo.

Erramos muitas vezes, mas precisamos aprender com nossos erros. Muitas vezes nos decepcionamos com nossos amigos, gostaríamos de ajudá-los, mas precisamos aprender que cabe a cada um optar por seus caminhos e ser responsável por estas opções. Criticamos nossos pais, mas nos pegamos cometendo os mesmos erros deles.


Lá fora há um mundo material se degladiando. Disputam-se homens e mulheres, qual o melhor corpo, qual o melhor partido financeiramente falando, ninguém está em busca de aventura, todos estão em busca de um relacionamento sério.

A velha história: " nada como um novo amor para curar a dor da perda de um velho amor:" Será que funciona mesmo? Se você não esta bem resolvido emocionalmente, o que vai passar para alguém? Suas frustrações, suas tristezas, suas ansiedades, vai colocar uma máscara de falsidade? Vai viver de mentiras? Vai fazer tudo de novo? Vai fazer para outros tudo o que fizeram você sofrer? Até quando vai o círculo vicioso? Uma sede insaciável de vingança, uma sucessão de fisionomias, para punir apenas uma. Age-se como uma bomba biológica, por onde passa contamina tudo com o vírus da vingança. Caminho complicado, escolha difícil, mas enfim, cada um sabe de si. São apenas meras observações. A vida é um palco e alguns atores nos oferecem a oportunidade em forma de peça com vários atos, devemos assistir em silêncio e tirar dela nossas lições...

Assim caminha a humanidade, mal termina-se um relacionamento e lá vão eles de cabeça na busca de outro, deixando atrás de si um rastro de lágrimas, de mágoas e ressentimentos. As feridas nem cicatrizaram e já estão sendo abertas outras, numa repetição sucessiva. Interessante o EGO humano, este comportamento humano. Na desculpa de buscar por um Amor, deixa-se uma leva de caídos. Voltando às raízes.


Quanto maior a "lista", melhor. Lista: colocar seres amados numa lista.

Será que quem ama de verdade, gosta de saber que faz parte de uma lista? Que é apenas um dígito na contabilidade amorosa? Mais soa como uma competição do que Amar de verdade.

Acredito que Amor não se comercializa, não se vende , não se expõe em vitrines, não se contabiliza, nem se compara, porque cada um é especial na sua forma de amar, iguais nas suas buscas, mas diferentes na escolha dos caminhos. Amor de verdade é incomparável.


A decadência emocional do ser humano é tão triste, não se valorizam mais os verdadeiros amigos, aqueles que estão sempre ao lado, quando os caminhos se estreitam, que oferecem não só o ombro, mas o braço inteiro para nos segurar quando tudo parece perdido. Aqueles amigos que tem tempo para ouvir, que se preciso for, deixam tudo de lado para nos sustentar, e que por isso não cobram nada, apenas carinho e respeito. E eles existem, são reais, fiéis, mas sem valor algum, são substituíveis....o grande defeito deles é ser verdadeiros, não saber alimentar o EGO...

O destino une e separa as pessoas, mas nenhuma força é tão grande para fazer esquecer pessoas que por algum motivo um dia nos fizeram felizes. Chega um momento na vida em que você sabe quem é importante para você, quem nunca foi, quem não é mais e quem o será sempre.


Chega-se a esta conclusão de maneira serena e consciente. Apenas observando e conhecendo quem realmente é digno de ser amado. Autêntico, aquela pessoa incrível que um dia tocou profundamente um coração.
TEMPO e ESCOLHAS...Somos livres para escolher os caminhos...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Vocabulário feminino (by Leila Ferreira)

Se eu tivesse que escolher uma palavra
- apenas uma -
para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje,
essa palavra seria um verbo de quatro sílabas:
descomplicar.
Depois de infinitas (e imensas) conquistas,
acho que está passando da hora de aprendermos
a viver com mais leveza:
exigir menos dos outros e de nós próprias,
cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa,
olhar menos para o espelho.

Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão
falada qualidade de vida que queremos - e merecemos - ter.

   Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial
da mulher moderna.
Amizade, por exemplo.
Acostumadas a concentrar nossos
sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas,
acabamos deixando as amigas em segundo plano.

E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher
quanto a convivência com as amigas.
Ir ao cinema com elas
(que gostam dos mesmos filmes que a gente),
sair sem ter hora para voltar,
compartilhar uma caipivodca de morango
e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes
- isso, sim, faz bem para a pele.

Para a alma, então, nem se fala.

Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez
(desligue o celular, se for preciso)
e desfrute os prazeres que só uma
boa amizade consegue proporcionar.

E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário
duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino:
pausa e silêncio.

Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos,
três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia
- não importa -
e a ficar em silêncio.

Essas pausas silenciosas nos permitem refletir,
contar até 100 antes de uma decisão importante,
entender melhor os próprios sentimentos,
reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso.

Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir.
Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão
de uma mulher mal-humorada.
Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas
do nosso dia a dia.
Se for preciso, pegue uma comédia na locadora,
preste atenção na conversa de duas crianças,
marque um encontro com aquela amiga engraçada
- faça qualquer coisa, mas ria.
O riso nos salva de nós mesmas,
cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.

Quanto à palavra dieta, cuidado:
mulheres que falam em regime o tempo
todo costumam ser péssimas companhias.

Deixe para discutir carboidratos
e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista.
Nas mesas de restaurantes, nem pensar.

Se for para ficar contando calorias,
descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa
do companheiro de mesa com reprovação e inveja,
melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface
e seu chá verde sozinha.

Uma sugestão?
Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que,
essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia:
gentileza.

Ter classe não é usar roupas de grife:
é ser delicada.
Saber se comportar
é infinitamente mais importante do que saber se vestir.

Resgate aquele velho exercício que anda esquecido:
aprenda a se colocar no lugar do outro,
e trate-o como você gostaria de ser tratada,
seja no trânsito, na fila do banco,
na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado,
na academia.

E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser
indissociáveis da vida:
sonhar e recomeçar.

Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia,
o curso que você ainda vai fazer, a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia (quem sabe?)
ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Richard Gere...
sonhar é quase fazer acontecer.
Sonhe até que aconteça.

E recomece, sempre que for preciso:
seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares.
A vida nos dá um espaço de manobra:
use-o para reinventar a si mesma.

E, por último
(agora, sim, encerrando),
risque do seu Aurélio a palavra perfeição.

O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades,
inseguranças, limites.

Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita,
a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo,
a esposa nota mil.

Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam,
bumbum que encara qualquer biquíni.
Mulheres reais são mulheres imperfeitas.
E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres.
Viver não é
(e nunca foi)
fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem
(e a busca da perfeição pesa toneladas),
a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.

domingo, 8 de maio de 2011

A primeira impressão é a que fica!!!

Não se engane: a primeira impressão é a que fica. E é aquela que realmente te diz muito sobre a pessoa. Acredite na sua intuição. Se você não foi "com a cara" da pessoa no primeiro contato, acredite nessa impressão.
Você pode até ir conhecendo melhor a pessoa, pode se surpreender com ela, mas nunca se esqueça da primeira impressão. Se a pessoa te pareceu arrogante, "dona do mundo", "senhora da verdade", acredite: qualquer hora ela vai te mostrar que ela realmente "se acha".
Infelizmente, a nossa primeira impressão é aquele nosso "anjinho da guarda" nos avisando: "fique de olho nesta pessoa. Ela não merece confiança."
E, mais cedo ou mais tarde, você vai perceber que seu anjinho só estava querendo o melhor para você...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Bom tom

Mais uma do Caio Fernando Abreu...

"Um dia tu vais compreender que não existe nenhuma pessoa completamente má, nenhuma pessoa completamente boa. Tu vais ver que todos nós somos apenas humanos. E sofrerás muito quando resolveres dizer só aquilo que pensas e fazer só aquilo que gostas. Aí, sim, todos te virarão as costas e te acharão mau por não quereres entrar na ciranda deles, compreendes?"

E eu fiquei pensando como as pessoas têm dificuldade em aceitar o que as outras pensam ou sentem... Sempre tive fama de chata, metida, esnobe, etc., porque as minhas atitudes refletem o que eu penso e o que eu sinto. Tenho uma dificuldade imensa de me comportar como as pessoas esperam que eu me comporte. Algumas vezes, sou excessivamente transparente. Desde criança. Eu me lembro de situações em que levei "puxões de orelha"da minha mãe por deixar transparecer que não tinha gostado de um presente (sabe aquela "careta" totalmente espontânea?). E esta é uma das situações mais simples... Apenas para exemplificar (rs). Tenho muita dificuldade em entrar na "ciranda" das outras pessoas. Tenho muita dificuldade em viver numa sociedade em que as aparências são tão importantes. Muitas vezes mais importantes do que a competência ou o caráter de uma pessoa.
 Uma das expressoes que mais detesto é "não é de bom tom" (e olha que escuto muito essa expressão aqui no Sul...). Tem horas que enche o saco ter que "fazer o social". E o pior (ou melhor?) é que eu não consigo enxergar isso como um defeito meu. Acho que é um defeito da sociedade. Se as pessoas não se importassem tanto com aparências, ou com o "bom tom", poderíamos ser mais felizes... Bem, pelo menos é isso que eu acho!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Caio Fernando Abreu

Acabei de abrir um "Conselho de Caio Fernando Abreu" no Facebook, e gostei do texto...

Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. É por ele que eu venho aqui, boy, quase... toda noite. Não por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia encontro.

domingo, 1 de maio de 2011

Mais uma de Rubem Alves

Ainda lendo "O Retorno e Terno", de Rubem Alves, gostei de um trecho da crônica "Entre o martelo e a bigorna"...

"E me veio então a curiosa ideia de que o Diabo é o encarregado do controle de qualidade do ser humano. Ele não acredita nas aparências. Vai descascando a gente como se fôssemos cebola, casca a casca, até chegar lá no interior escondido, para ver o que é que tem lá. Existirá algo? Ou será só o vazio? Pensei isto porque é precisamente isto que a dor faz: ela tira todas as cascas, destrói todos os supérfluos, até que só sobra, lá no fundo, aquilo além do que então se pode ir. E esta é a hora da verdade.
Por isto que parei de chamá-lo de Tentador - uma palavra carregada de sugestões morais, como se o seu negócio fosse enganar e lançar no inferno. Prefiro antes chamá-lo de Testador, aquele que nos faz passar pelo teste, que nos submete ao controle de qualidade para ver se, dentro da bela viola não existe só pão bolorento.
(...)
Só se sabe a verdade que mora dentro da gente quando a cebola chegou ao fim, e já não temos nenhum artifício de defesa, nenhum buraco onde nos esconder, nenhuma máscara de sorriso, nenhum desodorante que disfarce o mau cheiro, nenhuma barulheira de festa e de ação que nos distraia do encontro com o abismo."