domingo, 22 de maio de 2016

Amo a minha filha. Mas detesto a minha vida depois que ela nasceu.
Ser mãe é um saco. Não aguento mais não ter vida. Ouvir "mamãe" 24 horas por dia. Sim,  24 horas, porque nem de madrugada tenho folga. Ela nunca dormiu bem,  desde bebê. E até hoje acorda de madrugada. E, mesmo acordando de madrugada, acorda super cedo no dia seguinte. Estou esgotada. Brincar toda hora das mesmas coisas,  repetir um milhão de vezes "calça o chinelo que o chão está frio", "guarda os brinquedos" (e ter que guardar, pois geralmente ela só ajuda), etc, etc.,  aguentar birra sem motivo. E eu odeio birra. Sempre odiei,  desde criança.  Além de tudo,  ter que ensinar, criar, educar, sustentar, pagar todas as contas,   sem ninguém para ajudar. Ninguém. Cuidar da filha, da casa, lavar, passar,  cozinhar, trabalhar fora. Não poder sair sozinha. Não ter um minuto de paz. Não poder tomar um banho decente, nem ir ao banheiro com calma.  Não poder fazer nada que eu goste. Nada.
Hoje eu sou só mãe, deixei de ser eu. Dizem que "ser mãe é padecer no paraíso", eu ainda não descobri onde está a parte do paraíso... 

sábado, 16 de abril de 2016

Por que o Brasil não vai pra frente?

Os últimos dias tem sido movimentados no Brasil, diante do possível impeachment da presidente. Há muito tempo venho refletindo sobre por que o Brasil, um país com tanto potencial, não sai do lugar. E penso que grande problema é o famoso "jeitinho brasileiro".
Aqui,  quem consegue uma posição de "poder" acha que pode mais que o outro,  e quer logo tirar vantagem da situação... Vejo isso no condomínio onde moro. O atual síndico espalhou um monte de coisas na área comum do prédio,  e quando eu reclamei (afinal,  área COMUM não é para guardar coisas pessoais), ainda achou ruim...
Tem gente defendendo a presidente, dizendo que o partido dela fez muito pelos pobres. Não fez mais do que a obrigação. E fez errado. Fez esbanjando dinheiro, roubando e criando dívidas. Gastando 16 mil (18 salários mínimos) em uma diária de hotel de luxo na Europa. Então,  sinto muito,  mas tem que cair mesmo. E que todos os esquemas de corrupção sejam descobertos e os responsáveis presos.
E que a gente seja capaz de aprender a fazer o que é CERTO,  e não o que é interessante para apenas algumas pessoas.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Mães Tóxicas

Neste artigo iremos falar sobre as mães tóxicas. No entanto, é bom lembrar que também há pais e avós tóxicos. São mestres em educar as crianças sem estimular o crescimento pessoal e a segurança. Com isso, entregues ao mundo no futuro, elas poderão ter sua independência física e emocional bastante prejudicadas.
O papel da mãe é quase sempre mais forte na educação dos filhos. É ela que define ovínculo de carinho e afeto com a criança que, com passar do tempo, irá sair de seus braços e seguir no mundo sabendo que tem uma mãe que a ama. Ela terá sempre a referência do amor incondicional dela, mas de forma saudável, pois amadureceu de forma inteligente.
As mães tóxicas oferecem um amor imaturo aos seus filhos. Projetam sobre eles suas inseguranças para se reafirmar e, assim, obter um maior controle sobre suas vidas e a de seus filhos.

O que está por trás da personalidade das mães tóxicas?

Por mais que soe estranho, por trás do comportamento de uma mãe tóxica está o amor. Agora, todos sabemos que quando se fala de amor, há dois lados da mesma moeda: uma dimensão capaz de promover o crescimento pessoal do indivíduo, seja a nível de parceria ou a nível familiar, e um outro lado, mais tóxico, onde um amor egoísta e interessado é exercido, por vezes de forma sufocante, que pode ser completamente destrutivo.
O fator preocupante é que as famílias que exibem estas artimanhas de toxicidade o fazem em crianças, indivíduos que estão em processo de amadurecimento pessoal, tentando estabelecer sua personalidade e desenvolver sua autoestima. Tudo isso vai deixar grandes lacunas nos filhos, grandes inseguranças que, por vezes, se tornam intransponíveis.
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Vejamos as dimensões psicológicas delineadas das mães tóxicas:

1. Personalidade insegura

Às vezes, possuem uma nítida falta de autoestima e autossuficiência que as obriga a ver em seus filhos uma “salvação”, algo que devem modelar e controlar para ter ao seu lado, para cobrir suas deficiências.
Quando notam que as crianças estão se tornando independentes e capazes de construir suas próprias vidas, elas sentem uma grande ansiedade, pois temem, acima de tudo, a solidão. Portanto, são capazes de implantar “truques hábeis” para continuar mantendo-as por perto, projetando nelas, desde o início, sua própria falta de autoestima, suas próprias inseguranças.
 

2. Obsessão pelo controle

Essas mães têm o hábito de controlar todos os aspectos de suas vidas e passam a tentar fazer o mesmo na vida de seus filhos. Elas não conseguem respeitar os limites.Para elas, controle é sinônimo de segurança, algo que faz com que se sintam muito bem.
A parte complicada desta situação é que muitas vezes elas exercem esse controle pensando estarem fazendo o bem, demonstrando amor.
“Eu vou fazer a sua vida mais fácil, controlar suas coisas para fazer você feliz”
“Eu só quero o que é melhor para você e assim você não precisa errar”
O controle é o pior ato de superproteção. Com ele você evita que as crianças sejam independentes, capazes e corajosas. E impede que elas aprendam com seus erros.

3. A projeção dos desejos não realizados

“Quero que você tenha o que eu não tive”, “Não quero que cometa os mesmos erros que eu”, “Quero que você se torne o que eu não consegui me tornar”.
Às vezes, as mães tóxicas projetam em seus filhos os desejos não realizados de seus próprios passados, sem se perguntarem se é isso o que os seus filhos desejam, sem dar-lhes a opção de escolher. Pensam que assim estão mostrando um amor incondicional, quando, na realidade, demonstram um falso amor. Um interesse amoroso.
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Como lidar com uma mãe “tóxica”?

Esteja consciente de que você tem que quebrar o ciclo de toxicidade. Você tem vivido muito tempo nele, sabe as feridas que isso lhe causou. Mas agora entenda que você precisa abrir as suas asas para ser você mesmo. Para ser feliz. Será difícil, mas você deve começar a dizer “não” para colocar suas necessidades em voz alta e aumentar suas próprias barreiras, aquelas que ninguém poderá ultrapassar.
Trata-se da sua mãe, e quebrar esse ciclo de toxicidade pode causar danos. Às vezes, dizer a verdade pode parecer prejudicial, mas é uma necessidade vital. Isso significa deixar claro o que você permite e o que não permite. Você não quer causar nenhum dano, mas também não quer mais sofrer; isso deve estar bem claro em sua mente.
Reconheça a manipulação; às vezes, ela é tão sutil que não nos damos conta, pois ela pode estar em qualquer palavra, em qualquer comportamento. E, acima de tudo, não caia na “vitimização” delas, um recurso muito utilizado pelas mães e pessoas tóxicas. Elas se mostram como as mais sofredoras, as mais feridas quando, na realidade, o mais ferido é você. Sempre mantenha isso em mente.


Ler mais: http://www.psicologiasdobrasil.com.br/quando-a-educacao-doi-maes-toxicas/#ixzz40Feph1YP

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Mensagem - Tenda do Pai

Que as irradiações de Mestre Jesus nesses dias sirvam para relembrar para o que estamos aqui, do que somos feitos e do que somos capazes.
Que seu exemplo de rebeldia seja para nós o espelho no qual nossa coragem e esperança se fortaleçam. Sejamos igualmente rebeldes.
Que sua simplicidade sirva para também nos despirmos um pouco de nós mesmos a cada dia. Sejamos simples e serenamente silêncio e paz.
Que sua alegria seja o ritmo de nosso coração, porque ela é a força que colore a caminhada. Sejamos aqueles que celebram a existência com um sorriso no rosto e uma canção na alma.
Existir, conjugando ser , estar e sentir requer muitos momentos de desprendimento, de transformações, recomeços e pede também a construção consciente da noção de que estamos aqui como viajantes do infinito. Assim, como Mestre Jesus, experimentamos as oportunidades desse plano. Portanto, lembremos que pela misericórdia divina nos é possível visitar esse plano terreno na experiência da carne tantas vezes quantas forem necessárias para relembrar e aceitar que somos perfeitos, divinos e sagrados. Nascer, renascer...
Ousemos SER com simplicidade e alegria, amor e devoção! Que nossa devoção não seja icônica, mas rebelde, corajosa, livre e libertária. Ousemos devotar nossa Existência ao Bem Maior...Sejamos nós verdadeiros presentes divinos.
Presentes para o Espírito... cuidemos do plano que nos acolhe; cuidemos dos que caminham conosco; cuidemos do corpo que nos veste a alma.
Que nossa viagem seja abençoada e que a cada Natal nos aproximemos cada vez mais de nossa consciência divina e uns dos outros, comungando dos mesmos objetivos e fins e, que estes sejam o Amor e a Paz.
Salve Mestre Jesus!
Salve todos os Oxalás!
Feliz Natal!!!
Axé!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Dez coisas que os seres das sombras mais gostam que você faça


1. -Que você minta, que não viva a verdade em cada ato, que não faça da vida aquilo que gosta, que procure preponderar os interesses materiais em relação aos conscienciais e que jamais cumpra com a sua palavra. 2. -Que você tenha muita dúvida, que sinta-se inseguro o tempo todo e que não tenha fé na vida, nas pessoas e nas possibilidades que o universo nos oferece.

3. -Que você não estabeleça uma conexão com a Fonte Divina ou Deus. Que você acredite que só se vive uma vida. Em especial que você se concentre em aproveitar a vida no sentido de apenas se divertir o tempo todo, principalmente que você não dê atenção a evolução do amor e da consciência. Quanto menos você pensar e agir no sentido de realizar a missão da sua alma, que é o propósito da sua existência, mais você agrada os seres das sombras e mais você facilita o trabalho deles.

4. -Que você não se preocupe jamais com os outros. Que não pense em caridade, em bem estar alheio, em colaborar para a formação de uma sociedade mais digna e elevada. Quanto mais você pensa unicamente nos seus interesses mundanos, mais você agrada e facilita o trabalho das sombras.

5. -Que você jamais perdoe, que sinta muita raiva e desejo de vingar-se das pessoas as quais lhe fizeram mal. Além disso, que você faça valer a sua palavra a qualquer preço, sem compaixão, sem paciência e sem respeito. O tipo de campo de energia produzido por esses sentimentos alimenta muito a força dos seres das sombras, oferecendo a eles alimento, energia e campo de ação para suas investidas nefastas.

6. -Que você jamais estude e que nunca busque o desenvolvimento de seus potenciais. Em especial que você seja acomodado, preguiçoso e sem iniciativa. Quanto menos você cuidar do seu corpo, da sua mente, das suas emoções e do seu espírito, mais você ajudará a facilitar o trabalho das sombras. Quanto mais alienado e cético você for, melhor!

7. -Que você seja fanático, determinista, inflexível, convicto e fascinado. Quanto menos tolerância, equilíbrio, leveza e sensatez você tiver nos seus atos, mais você contribuirá para as estratégias dos seres das sombras.

8. - Que você elimine da sua vida a oração, a meditação e qualquer tipo de prática espiritual. De preferência que você substitua essas práticas por vícios como drogas, álcool, fumo, alimentação desequilibrada, jogos e sexo promíscuo. Quanto mais você abandonar práticas saudáveis, mais você contribuirá para abrir a porta de acesso que liga os seres das sombras até você.

9. - Que a sua disciplina seja muito ruim e que você nunca tenha persistência para seguir seus objetivos, para realizar suas práticas diárias de conexão com Deus e que nunca tenha perseverança em seguir os seus sonhos.

10. -Que jamais acredite na sua intuição e que siga apenas a voz da razão e que não confie em nada, absolutamente nada que não seja comprovado cientificamente ou que não tenha relevância acadêmica. Em especial, que você abandone a sua sensibilidade de perceber as coisas e situações, acreditando apenas no que você vê com os próprios olhos. De preferência, quando situações ruins acontecerem em sua vida, vitimize-se e rapidamente encontre um culpado, que certamente não deve ser você.

Não quer alimentar atitudes que atraiam obsessores ou seres das sombras para a sua vida? Quer construir um estilo de vida que lhe faça feliz? Quer estar em sintonia com as Fontes Divinas?
Então faça um exame de consciência e elimine da sua vida esses comportamentos citados anteriormente. Eliminando esses erros comuns você certamente dará um importante passo na conquista de uma vida cheia de bênçãos e bem aventurança!
Por Bruno J. Gimenes

quarta-feira, 3 de junho de 2015

10 coisas que não devemos dizer às crianças
Não diga para parar de chorar, não ironize o que elas dizem... A educadora Ligia Pacheco dá essas e outras dicas do que não dizer às crianças
Por Ligia Pacheco
17.03.2015
Consciente ou inconscientemente, os comportamentos dos pais interferirão de maneira positiva ou negativa na formação da personalidade das crianças. O que não se deve dizer?
1. Não diga algo que não irá cumprir. Isso compromete a confiança e respeito que ela tem por você, e facilmente terá dificuldades para respeitar e confiar em outros.
2. Não a rotule com palavras negativas. Se ficar repetindo, por exemplo, “Como você é teimoso!”, assim ela será.
3. Não a compare com os irmãos ou com outras crianças. Isso abalará a sua autoconfiança. Cada criança é única.
4. Não a engane com elogios falsos, pois formará a sua personalidade baseada nisso e sofrerá demais quando o mundo não a reconhecer como tal.
5. Não a pergunte o que ela quer comer, se quer fazer algo que precisa ser feito ou ir a um lugar que é preciso ir. Para estar pronta para escolher e decidir, ela precisa antes ter uma grande bagagem de opções, além da autonomia e responsabilidade bem desenvolvidas.
6. Não diga por ela. Se alguém perguntar-lhe algo, deixe que ela responda. Não tire dela a capacidade de pensar e se expressar.
7. Não ria, ironize ou diga que é bobagem o que ela diz. A criança ainda está construindo o seu pensamento lógico. E se prestarmos atenção, a lógica infantil muitas vezes é mais lógica que a nossa.
8. Não diga para parar de chorar e nem minimize essa expressão. Converse com ela, procure entender a razão do choro, ensinando-a a lidar com o que a aflige.
9. Não minta para ela. Dizer, por exemplo, que a injeção não vai doer abalará a confiança que ela tem em você.
10. Não diga simplesmente “porque sim” ou “porque não”. Os porquês são fundamentais para que ela compreenda a si mesma, aos outros e a realidade em que está inserida.
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quinta-feira, 26 de março de 2015

Por que o papai foi embora? (Tâmara Freire)

A resposta mais direta e honesta para mães e filhos que estejam se fazendo esta pergunta é: porque ele pode. Os papais podem ir embora e muitos assim o fazem.
Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que pelos menos 5 milhões e meio de crianças brasileiras não têm o nome do pai na certidão. E se estes 5 milhões e meio de pais sequer registraram seus filhos, não é irracional supor que também em nada contribuem para o seu sustento e criação. São pelo menos 5,5 milhões de papais que foram embora.
Não há como garantir, além disso, que os pais que aparecem nas certidões de nascimento não tenham ido. O exercício é simples: basta recorrer à qualquer Defensoria Pública, para verificar a enormidade de ações, movidas em favor de mulheres e crianças pobres, para obter o reconhecimento de paternidade e a pensão alimentícia. E quantas também são movidas por advogados particulares, em favor de mulheres e crianças em outras condições financeiras? E quantos homens são presos por não efetuarem o pagamento? E aqui estamos falando apenas de dinheiro e questões que o mundo jurídico alcança.
Dias atrás, vi um filme chamado Entre Nós, que conta a história de Mariana, uma colombiana mãe de dois filhos, que se muda para os EUA, para acompanhar o marido. Mas, estando lá, este homem um dia simplesmente vai embora. Mariana então é obrigada a recorrer a diversos tipos de subocupação – com os filhos a tiracolo – para sobreviver. A família chega a dormir na rua, e a depender da caridade alheia para se alimentar. Em certo momento, o filho mais velho de Mariana dirige a ela a pergunta do título: “Por que o papai foi embora?” Mariana diz não saber. Algumas cenas depois, o próprio menino responde: “Você precisa de muita coisa, por isso o papai foi embora.”
Cena do filme Entre Nós - Foto: Divulgação
Cena do filme Entre Nós – Foto: Divulgação
A despeito da intenção do garoto de descontar na mãe sua revolta pelo abandono, não tem ele toda razão?
Nós, as mães, precisamos de dinheiro, e de alguém que divida o cuidado de nossos filhos e a tomada de inúmeras decisões. Isso para dizer o mínimo. Uma ‘injusta’ responsabilidade para muitos pais. Precisamos demais e é mais fácil ir embora. Seja literalmente, como o marido de Mariana. Seja por partes, como tantos pais que vivem na mesma casa que a mãe e os filhos, mas não dividem cuidado algum. Ou que vivem em outro lugar, e nunca veem os filhos. Ou que os veem ocasionalmente, mas contribuem com pouco ou nenhum tostão. Ou uma combinação dessas coisas, ou uma versão outra de algum abandono. O fazem com tal desfaçatez, como se não tivessem contribuído, ao menos em 50%, para que aquela criança existisse. Para que o nascimento de uma criança tenha transformado aquela mulher em uma mãe que pede coisas demais.
Se a lógica não está do lado dos pais ausentes, por que diabos eles insistem em achar que podem ir embora?
Porque quem apaga a luz é sempre o último a sair. E quão improvável seria que Mariana também se fosse deixando seus filhos sozinhos para trás?
Quando um pai vai embora, na absoluta maioria das vezes, há uma mãe que fica, para preencher todas as lacunas financeiras, práticas e emocionais que aquele pai deixou. O patriarcado já nos apregoa que somos a principal responsável por aquela criança. Junte isso à humanidade básica que impediria qualquer ser humano decente de abandonar uma criança à própria sorte e temos a realidade de milhões e milhões de mãe, em menor ou maior grau. A minha. A de várias companheiras do FemMaterna. De muitas amigas. Certamente, de muitas de vocês que me leem.
“Mas a mulher aceitou ter um filho em um país machista, devia prever o que poderia acontecer”, alguém pode dizer. Na verdade, em um país machista, mulheres são presas se não aceitarem ter um filho e interromperem a gestação. Em um país machista, mulheres são agredidas e estupradas, se não aceitarem ter um filho e dizerem não ao marido que deseja uma relação sexual. Em um país machista, mulheres são discriminadas se não aceitarem ter um filho e levarem consigo ou mesmo pedirem que o parceiro use camisinha. Em um país machista, mulheres casadas são questionadas, se não aceitarem ter um filho, e combinarem todos os métodos possíveis para evitá-lo. Em um país machista, como em qualquer outro país, métodos contraceptivos, ainda que usados corretamente, falham, e mesmo que a mulher os use porque não aceita ter um filho, ela pode ter. E quando esse filho é gestado e parido, independente das condições em que foi concebido, com a contribuição inequívoca do esperma de um homem; e depois é abandonado por esse homem, é realmente a mãe que fica que você quer culpar?
Há algumas semanas, uma manchete ganhou a home de muitos portais. Em algum país que não me lembro, uma mãe foi embora deixando seu filho com síndrome de down com o pai. É um caso clássico de gente mordendo cachorro: acontece com tamanha raridade, que se tornou notícia. Nos comentários, os xingamentos mais diversos foram direcionados à mulher. O pai foi louvado por sua impressionante iniciativa.
Já você, mulher e mãe que vive igual situação, não espere louros, você não faz mais do que a sua obrigação.

(texto do site http://femmaterna.com.br/por-que-o-papai-foi-embora/)

segunda-feira, 23 de março de 2015

Fique com alguém que não tenha dúvidas (Marina Barbieri)

Quando a gente quer muito uma pessoa, a gente se engana. A gente tenta encaixar aquele outro ser humano em posições que nunca foram dele. A gente clama ao universo para um sim em algo que já começou destinado ao não. A gente quer, e a gente bate o pé e faz pirraça feito criança para conseguir. Mas um dia a gente percebe que amor tem que ser uma via de mão dupla. Amor tem que ser fácil, tem que ser bom, tem que ser complemento, tem que ser ajuda. Amor que é luta é ego. Amor que rebaixa é dor. E então a gente aprende que amor que não é amor, não encaixa, não orna, não serve.
Fique com alguém que não tenha conversa mole. Que não te enrole. Que não tenha meias palavras. Que não dê desculpas. Que não bote barreiras no que deveria ser fácil e simples. Fique com alguém que saiba o que quer e que queira agora.
Fique com alguém que te assuma. Que ande com orgulho ao seu lado. Que te apresente aos pais, aos amigos, ao chefe, ao faxineiro da firma. Que segure a sua mão ao andar na rua. Que não tenha medo de te olhar apaixonadamente na frente dos outros. Fique com alguém que não se importe com os outros.
Fique com alguém que não deixe existir zonas nebulosas. Que te dê mais certezas do que perguntas. Que apresente soluções antes mesmo dos questionamentos aparecerem. Fique com alguém que te seja a solução dos problemas e não a causa.
Fique com alguém que não tenha traumas. Que não tenha assuntos mal resolvidos. Que saiba que para ser feliz, tem que deixar o passado passar. Fique com alguém que só tenha interesse no futuro e que queira esse futuro com você.
Fique com alguém que te faça rir. Que te mostre que a vida pode ser leve mesmo em momentos duros. Que seja o seu refúgio em dias caóticos. Fique com alguém que quando te abraça, o resto do mundo não importa mais.
Fique com alguém que te transborde. Que te faça sentir que você vai explodir de tanto amor. Que te faça sentir a pessoa mais especial do universo. Fique com alguém que dê sentido à todos os clichês apaixonados.
Fique com alguém que faça planos. Que veja um futuro ao seu lado. Que te carregue para onde for. Que planeje com você um casamento na praia, uma casa no campo e um labrador no quintal. Fique com alguém que apesar de saber que consegue viver sem você, escolhe viver com você.
Fique com alguém que não se esconda. Que não te esconda. Que cada palavra seja direta e clara. Que não dê brechas para o mal entendido. Que faça o que fala e fale o que faça. Fique com alguém cujas palavras complementam suas ações.
Fique com alguém que te admire. Que te impulsiona pra frente. Que te apoie quando ninguém mais acreditar em você. Que te ajude a transformar sonhos em realidade. Fique com alguém que acredite que você é capaz de tudo aquilo que queira.
Fique com alguém que você não precise convencer de que você vale a pena. Que não tenha dúvidas. Fique com alguém que te olhe da cabeça aos pés e saiba, sem hesitar, que é você e só você.
Fique com alguém que te faça olhar para trás e agradecer por não ter dado certo com ninguém antes. Fique com alguém que faça não existir mais ninguém depois.

“- Existe uma palavra em alemão: Lebenslangerschicksalsschatz. E a mais próxima tradução seria ‘O tesouro do destino ao longo da vida.’ E Victoria é  ’wunderbar’, mas ela não é minha Lebenslangerschicksalsschatz. Ela é minha Beinaheleidenschaftsgegenstand, sabe? Isso significa ‘Aquilo que é quase aquilo que você quer, mas não completamente.’ E é isso o que Victoria é pra mim.
– Mas como sabe que ela não é Lebenslangerschicksalsschatz? Talvez com o passar dos anos ela se torne mais Lebenslangerschicksalsschatz.
– Não, não, não. Lebenslangerschicksalsschatz não é algo que se desenvolve ao longo do tempo, é algo que acontece instantaneamente. Atravessa você como água de um rio depois da tempestade, preenchendo e esvaziando você ao mesmo tempo. Você sente isso em todo o seu corpo. Nas suas mãos. No seu coração. No seu estômago. Na sua pele. Já se sentiu assim com alguém?
– Acho que sim.
– Se tem que pensar a respeito é porque não sentiu.
– E tem absoluta certeza que encontrará isso um dia?
– É claro. Eventualmente todo mundo encontrará. Só que nunca saberá onde ou quando.”
(How I Met Your Mother)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Não torço para nenhum time de futebol. Sou atleticana!!!

Há séculos não posto nada aqui no blog. Falta de tempo, cansaço, vida corrida.
E enquanto isso, o Galo foi campeão da Libertadores de 2013 e campeão da Recopa e Copa do Brasil de 2014. Em homenagem, mesmo que bastante atrasada, segue o texto do jornalista Chico Pinheiro, que, como eu, carrega o Galo no coração.

Depoimento: Não torço para time nenhum de futebol; sou atleticano

Tive o prazer de encontrar o grande Wilson Piazza no Rio de Janeiro horas antes da final da Copa do Brasil, na quarta-feira.
Ele, que foi um monstro, que é uma figura sensacional, um grande zagueiro, campeão do mundo com a seleção brasileira, mas que sofreu como cruzeirense nas mãos do Atlético-MG, me dizia que o que é bom tem que ser copiado.
Piazza queria que a torcida do Cruzeiro repetisse o canto do Galo no Mineirão e dissesse "eu acredito", grito que marcou a campanha da conquista atleticana da Libertadores da América de 2013, repleta de viradas e jogos emocionantes.
Não falei na hora, mas poderia ter respondido que dizer não basta. Tem que acreditar mesmo. E nisso somos campeões!
Raphael Dias/TV Globo
Apresentador da TV Globo fala sobre sua paixão pelo Atlético-MG
Apresentador da TV Globo fala sobre sua paixão pelo Atlético-MG
Como sou mineiro, não cantei vitória antes da hora, porém estava certo do que iria acontecer. Vi o jogo em casa, no Rio, e, sem provocação, achei que cabia mais até do que o placar final, 1 a 0.
A confiança do atleticano vem de algo que independe de vitórias, conquistas. Eu não estou preocupado com o resultado.
Não estou nem aí para quantos títulos meu time tem. Minha preocupação é ser isso que Roberto Drummond, meu vizinho e grande escritor, definiu como "um querer bem, uma ideologia".
Pai de cinco filhos, carrego um orgulho na vida. Mesmo estando fora de Minas Gerais –porque morar em Minas todos nós seguimos morando, já que isso é um estado de espírito–, todos eles pertencem a esse negócio especial no planeta.
Pergunte para qualquer um dos meus filhos e ouvirá o mesmo que repito desde sempre quando indagado sobre para que time torço.
Não torço para time nenhum de futebol; sou atleticano.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Escrita à mão

O texto a seguir foi publicado na Folha de São Paulo, em julho/2014:

Mãos à obra
Apesar de competir com tablets e computadores nas salas de aula, escrita à mão ajuda a fixar mais dados e é uma ginástica mental poderosa, apontam estudos
REINALDO JOSÉ LOPESCOLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Não é uma boa ideia aposentar a tradicional escrita à mão, com lápis e caderno, como ferramenta didática.
Estudos recentes mostram que tanto as crianças que estão sendo alfabetizadas quanto adultos podem ter vantagens no aprendizado quando colocam as palavras no papel, à maneira antiga.
No caso dos pequenos, traçar as letras com lápis e caneta parece ser uma ginástica mental mais poderosa do que simplesmente procurá-las num teclado, além de potencializar o aprendizado do vocabulário e ser mais útil contra problemas como a dislexia. Para os jovens, anotações feitas em cadernos têm mais potencial para ajudá-los a fixar o conteúdo da aula.
Ler e escrever, em especial do jeito tradicional, são tarefas cognitivas complexas. É preciso juntar numa única orquestra de neurônios áreas cerebrais de ação motora, de linguagem e de raciocínio.
Num estudo publicado na revista científica "Trends in Neuroscience and Education", pesquisadoras observaram o que acontece no cérebro de crianças com idades entre quatro e cinco anos que estavam começando a ler.
Meninos e meninas foram divididos em três grupos. O primeiro era ensinado a traçar letras de fôrma manualmente; o segundo cobria uma linha pontilhada; o terceiro tinha de identificar a letra num teclado de computador.
Depois as crianças foram colocadas em aparelhos de ressonância magnética e reviam, lá dentro, as letras que tinham praticado.
As imagens de ressonância deram às cientistas uma ideia sobre o grau de ativação de cada região do cérebro das crianças. Tanto a diversidade de áreas cerebrais ativadas quanto a intensidade dessa ativação foram mais acentuadas nos pequenos que tinham sido treinados a escrever as letras "do zero".
Para os autores, os achados apoiam a hipótese de que a escrita tradicional ajudaria o desenvolvimento mental infantil, em especial na capacidade de abstração.
Isso porque a criança precisa conseguir perceber que um "a" é sempre um "a", por exemplo, independentemente da letra ou da fonte usada.
O resultado desse processo pode ser percebido em alunos de universidades. Um artigo na revista "Psychological Science" mostrou que aqueles que anotavam o conteúdo de palestras à mão retiveram mais da aula do que os que usaram notebooks.
Ao anotar à mão, o aluno precisa reorganizar os dados da aula com sua própria lógica, o que o ajuda a entender melhor o que o professor está explicando.
Segundo Angela de Cillo Martins, coordenadora pedagógica de educação infantil e do primeiro ano do ensino fundamental do colégio Dante Alighieri, em São Paulo, a facilidade com que crianças pequenas e até bebês manipulam tablets e smartphones hoje não tem levado a um desinteresse pela escrita à mão na fase pré-escolar.
"Nas séries iniciais, o objetivo principal é o contato constante da criança com a escrita. Para isso, usamos vários recursos, como computadores, tablets, lousas digitais, folhas avulsas e cadernos", diz Angela. Embora os alunos do ensino médio recebam tablets, em sala de aula continuam escrevendo em caderno, de acordo com ela.
"A grande vantagem na alfabetização é que, para as crianças dessa idade, o ato de escrever está muito associado ao ato de desenhar, o que incentiva os alunos a manipular o lápis e a caneta", diz Eloiza Centeno, coordenadora pedagógica de educação infantil do colégio São Luís.
"Mais tarde, a gente nota uma facilidade maior com o teclado quando a questão é ter fluência e velocidade para escrever", conta. "Não acho que seja o caso de usar aqueles exercícios antigos de caligrafia, mas dá para trabalhar a fluência e a legibilidade na escrita à mão, até porque é uma habilidade ainda indispensável no vestibular."