segunda-feira, 24 de setembro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Mensagem aos pais (Ricardo Jordão Magalhães)


"Quando eu tinha quatorze anos, eu achava o meu pai tão ignorante, mas tão ignorante, que eu tinha vergonha de ser visto ao seu lado; mas quando eu fiz vinte e um anos, eu fiquei super impressionado com a quantidade de coisas que ele aprendeu em sete anos."
Assim que eu comecei a ganhar dinheiro o suficiente eu sai da casa dos meus pais e fui morar sozinho.
Eu aluguei um pequeno apartamento super simpático com um quarto, cozinha e sala localizado a uma música do meu trabalho. Naquela época eu morava tão perto do escritório que não dava tempo de ouvir a segunda música do CD. As vezes eu levava várias semanas para ouvir um CD inteiro.
Durante alguns anos eu levei uma típica vida de solteiro workaholic. Na cozinha não tinha fogão, apenas microondas; na geladeira, só dava lasanha congelada da Sadia; na sala, não tinha sofá, apenas uma cadeira para ler e trabalhar; televisão nem pensar, apenas uma estante cheia de livros, revistas e CDs; a decoração a là Casa Cor passou longe, eu mesmo furei bem mal furado todas as paredes do apartamento com posters de Star Wars, Matrix, Poderoso Chefão, John Lennon, Iron Maiden, Rent, Sócrates & Aristóteles, Robert Doisneau e Kandinsky.
No guarda-roupa eu estava up-to-date. Roupinhas de marca, reloginho de playboy e perfume de galã; na garagem eu também estava up-to-date. Carro do ano importado, lavado e cheiroso (apesar de estar devendo seis prestações para o banco e dois IPVAs para o governo). O corpinho também estava up-to-date. Depois de 12 horas de trabalho, eu ainda arrumava tempo para um joguinho de squash, uma corridinha no Parque do Ibirapuera, uma treinadinha na Academia, e uma sessão de bronzeamento artificial (afinal eu precisava manter o meu álibi com as gatinhas de dono de casa pé-na-areia em Maresias Kkkkk).
Na vida amorosa eu também não tinha do que reclamar. Sempre bem informado sobre as melhores baladas, eu fazia questão de não perder nenhuma - de segunda a segunda.
Enfim, a vida perfeita.
Bem, nem tanto assim.
90% dos homens solteiros não viajam - a não ser a trabalho; não trocam de apartamento - a não ser que sejam despejados pelo dono do imóvel.
O maior conflito emocional das suas vidas é o medo de pedir aumento de salário para o chefe, ou curtir os posts da antiga paixão dos tempos do colégio na Facebook; o maior compromisso das suas vidas é com as próximas 24 prestações do seu Vera Cruz 2012 (que inclusive é carro de mulher. Kkkk); o seu maior patrimônio é a sua coleção completa de filmes pornográficos armazenados em 50 terabytes de disco rígido.
Eu acabo de descrever a minha vida quinze anos atrás. Uma infância de Peter Pan que se repetiu monotonamente por vários anos, e da qual não sinto falta alguma.
Eu me tornei adulto quando eu casei.
Eu me tornei um homem quando nasceu a minha primeira filha.
Eu me transformei em ser humano quando me tornei Pai.
Eu sou alguma coisa nessa vida porque tenho uma Família.
Nada menos que isso interessa!
Hoje eu tenho que acordar cedo e dormir tarde porque as contas a pagar não param de chegar. As minhas roupas não estão mais up-to-date e o perfume que eu uso tem mais de cinco anos; o carro tem quatro anos, o antigo corpinho de Hulk está mais para a pança do Shrek, e a última balada que eu estive presente foi uma apresentação da Hannah Montana Cover em um Buffett Infantil domingo a tarde antes do Fantástico.
Eu perdi o novo filme do Woody Allen porque tive que assistir o Homem Aranha com o meu filho. Eu deixei de comprar um aplicativo para iPad, porque precisei comprar o novo app da Disney para a minha filha.
Eu preciso trocar de carro porque não cabem os filhos, eu preciso trocar de casa porque não cabe a sogra, eu preciso encontrar um novo lugar para passar as férias porque o barato do ano passado já perdeu a graça.
Eu preciso crescer, crescer e crescer, e eu estou super feliz com isso. Eu não posso descansar, eu não posso parar, eu não posso pisar na bola, eu não posso ficar doente, e estou super feliz com isso. Eu preciso dar o exemplo, ser o exemplo, apontar exemplos, e estou super feliz com isso.
Você sabe que se tornou um pai de verdade quando a carteira que você usava para guardar dinheiro, carrega agora fotos dos seus filhos, e você está super feliz com isso.
Você sabe que se tornou um pai de verdade quando percebe que a melhor coisa que você pode fazer pelos seus filhos é amar a mãe deles, e você está super feliz com isso.
Você sabe que se tornou um pai de verdade quando não cansa e não para de ensinar os seus filhos mesmo sabendo que eles não estão entendendo nem metade das coisas que você está falando, e você está super feliz com isso.
Você sabe que se tornou um pai de verdade quando diz para a sua filha pedir autorização para a mãe mesmo quando a mãe já disse para pedir autorização para o pai, e você está super feliz com isso.
Você sabe que se tornou um pai de verdade quando se sente confortável para aprovar, desaprovar, aceitar e perdoar o espírito adolescente dos seus filhos, e você está super feliz com isso.
Você sabe que se tornou um pai de verdade quando aparece com um buquê de rosas nas mãos no final da apresentação de balé da filha mesmo sabendo que ela se sente embaraçada na frente das amigas, e você está super feliz com isso.
Você sabe que se tornou um pai de verdade quando está presente para abraçá-la e beijá-la momento em que ela vai embarcar para fora do país por alguns anos, e você está super feliz com isso.
Você sabe que se tornou um pai de verdade quando recebe os seus filhos de volta, de braços abertos, não importa o tempo que passou, e tudo que aconteceu, e você está super feliz com isso.
Você sabe que se tornou um pai de verdade quando percebe que todo mundo pode ter um filho, mas é preciso muito esforço, mas muito esforço, todos os dias, para ser um Pai, e você está super feliz com isso.
Você sabe que se tornou um pai de verdade quando pára de dar desculpas para não estar presente na vida dos seus filhos.
Em algum momento durante o dia de hoje, o seu filho estará errado. Você vai estar lá para dizer a ele?
No final da sua vida, você vai perceber que a verdadeira medida de um homem é a educação que ele deu aos seus filhos. O quê você deu a eles, o que você fez para afastá-los das coisas erradas, as lições que você ensinou e as lições que você permitiu que eles aprendessem sozinhos.
O mundo em que nós vivemos nunca precisou tanto de um Pai como agora. Na verdade, se estamos no buraco, é por falta da presença do Pai.
Não deixe as funções que você tem que representar nessa vida atrapalharem o seu papel de Pai. A vida passa muito rápido, a empresa em que você trabalha vai desaparecer em alguns anos, e o seu filho não.
Esteja presente, seja o Pai que o futuro merece. O mundo inteiro agradece.
NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA.
QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?"

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Isso é amor ou é doença? (André Lima)


Recentemente escrevi um texto falando sobre a importância do desapego em todas as áreas, inclusive nos relacionamentos. Recebi depois um e-mail de uma leitora dizendo o seguinte:
"Porque você não entende nada de amor! Você não está apaixonado! Na vida e na guerra o tempo conta, as estratégias são necessárias muitas vezes pra não perder quem você ama ou para mostrar aquele ser amado que você existe  e que o ama. Aí sim a decisão é dele!"

Alguns confundem o sentimento de necessidade de ter que ter aquela determinada pessoa, com amor. Tem pouco a ver com amor pelo outro, e sim com a nossa própria insegurança e problemas de autoestima. Ao invés de curarmos nossas feridas emocionais, pensamos que precisamos encontrar alguém que nos traga segurança e conforto para acabar com a nossa infelicidade. O outro se torna a fonte que irá nos preencher. É uma receita certa para sofrimento.
Quando conseguimos um relacionamento dessa forma, por um tempo podemos nos sentir bem, normalmente, logo nas primeiras semanas ou meses da relação. Mas logo virá a insegurança pois teremos sempre um medo inconsciente latente de perder aquela pessoa.
Na verdade, temos medo de perder a  sensação de paz e segurança que o relacionamento nos traz. Essa sensação de segurança não é verdadeira, é algo apenas superficial, pois nossos problemas de insegurança mais profundos não foram curados, ficaram apenas temporariamente encobertos com o relacionamento. A nossa paz está nas mãos de outra pessoa.
Esse medo de perder leva à dependência e alguns chegam ao desespero. Criamos jogos de manipulação e chantagem, no intuito de ter a outra pessoa de qualquer forma, pois é nela que projetamos a nossa felicidade. Pessoas que agem dessa maneira estão sempre tensas de alguma forma. Normalmente são pessoas ciumentas. Tendem a ser rejeitadas nos relacionamentos. Elas se tornam muito desinteressantes. Quanto mais projetamos necessidade e insegurança, mais o nosso valor diminui perante os olhos das outras pessoas. Essa forma de se comportar é causada pela falta de amor próprio.
Pessoas mais seguras são as que nos parecem as mais interessantes. É algo natural se sentir atraído por pessoas que passam, nas suas atitudes, uma boa autoestima. Elas não precisam fazer esforço para atrair um bom relacionamento; as coisas simplesmente acontecem. Parece sorte, coincidência, mas não tem nada disso.
Gostamos mais das pessoas que gostam de si mesmas. Quanto melhor a nossa autoestima, mais conseguimos nos valorizar, nos impor, colocar limites e dizer não quando necessário. Nos fazemos respeitar  e assim os outros acabam também nos respeitando e valorizando. A qualidade dos nossos relacionamentos é sempre um reflexo direto da qualidade da nossa autoestima. É tudo muito simples e lógico.
Se sentir como a pessoa mais importante da nossa vida pode soar para alguns como egoísmo. Mas se trata de amor próprio. E esse é, na realidade, o único amor verdadeiro. Nesse estado conseguimos nos relacionar muito melhor com os outros, sem a necessidade de controlar. Ficamos na verdade muito mais generosos quando perdemos o medo. Tratamos bem os outros, mas não nos deixamos cair em jogos de manipulação nem perdemos nossas vontades. Relacionamento egoísta é aquele em que usamos artifícios para fazer com que pessoas fiquem ao nosso redor. E muitos acham que isso é sinal de amor.
Atendendo uma cliente que já morou fora do Brasil, ela contou que um ex-namorado ligou pra ela perguntando se poderia viajar para visitá-la. Ela falou que não, que não tinha mais nada a ver, mas ele insistiu e foi mesmo assim. Ela tinha noção de que esse não era um comportamento saudável. Mas, em algum nível, na percepção da minha cliente, parecia que ele agia dessa forma por gostar ainda muito dela. Na verdade, ele agia assim por não gostar de si mesmo, devido a vários sentimentos que acumulou durante a vida. Mas ele também não conseguia enxergar isso. Na  sua visão, ele pensava que se comportava daquela maneira por amor.
O pior é que ainda ficamos envaidecidos quando alguém se comporta dessa forma. A atitude dessa pessoa não tem nada a ver conosco. Tem a ver apenas  com a falta de amor próprio dela para com ela mesma. Mas, como também temos nosso problemas de autoestima, nos apegamos a esse tipo de situação (mesmo quando não queremos ter nada com o outro) para sentir que temos algum valor, já que alguém "gosta" tanto assim de nós.
O gostar demais, sentir ciúmes, vontade controlar, manipular os relacionamentos, achar que o outro é mais importante, que é tudo na nossa vida, é fruto da mesma doença: dificuldade de amar a si mesmo.

Simples assim!

Ah! Como é bom chegar nesta fase! E eu cheguei a pensar que não seria capaz...

sábado, 8 de setembro de 2012

E a Educação?


Outro dia um amigo postou esta charge no Facebook, e perguntou a minha opinião sobre o assunto... Bem, caro Marcelo, seguem algumas reflexões a respeito.
Infelizmente, na minha opinião a charge reflete perfeitamente a postura do sistema educacional no Brasil. E essa não é uma realidade apenas da atualidade. Isso acontece desde sempre... No século passado, por exemplo, crianças canhotas eram obrigadas a aprender a escrever com a mão direita, para não serem diferentes do grupo, para não serem diferentes do "normal". 
Ser diferente sempre foi um problema. Pensar diferente sempre foi um problema. Aliás, o simples fato de pensar é um problema, considerando esse modelo de ensino.
Como professora, posso dizer que é mais fácil e mais cômodo lidar com um grupo de alunos em que todos têm um  mesmo ritmo de aprendizagem, em que todos aprendem usando o mesmo tipo de estratégia. Mas esse tipo de grupo geralmente é exceção, e não a regra... O grande problema é que as escolas, e grande parte dos professores, tentam moldar o modo de aprender e o modo de pensar dos estudantes. E isso não se resume apenas às escolas de nível fundamental e médio. Tem muitas universidades por aí que também tentam fazer isso...
Tal realidade me deixa muito triste e desanimada, pois a função da escola deveria ser justamente o contrário! A escola deveria ensinar a pensar, a analisar, a criticar. E, na maioria das vezes, ela apenas ensina a reproduzir, a repetir, a copiar os moldes que ela impõe.
Enquanto professora, eu tento fazer a minha parte para mudar isso. Tento incentivar meus estudantes a serem reflexivos, críticos, participantes. E fico na torcida para que, um dia, o modelo educacional da charge acima não seja mais o modelo aplicado pela maioria. Porque, definitivamente, padronizar tudo e todos não é a solução!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Ainda bem que me livrei dessa...


Passeando pela página do yahoo, dei de cara com "Conheça os tipos de homens que dão trabalho na vida amorosa". E não é que acabei encontrando o perfil exato do meu último relacionamento???
O único problema é que acho que perdi tempo demais... Foram dois anos tentando lidar com ele...
Mas, fazer o que? O jeito agora é prestar mais atenção aos próximos, para não cair novamente na cilada de me apaixonar por um mala desses... E deixar o coitadinho com seus eternos problemas...


Conheça os tipos de homens que dão trabalho na vida amorosa

(Arte: Alpino)O que se faz de vítima: Uma pessoa totalmente presa ao passado. Se sente injustiçada e coleciona "muletas" emocionais.

Como ele causa problemas:
 É do tipo que daquelas pessoas que dá um tapa e esconde a mão. Jamais assume os erros, sempre se julgará inocente, mesmo que todas as provas comprovem sua culpa. Adora fazer chantagem emocional, até conseguir o que quer.

Como lidar com ele: Este tipo não tem como lidar, é cair fora o quanto antes.

domingo, 2 de setembro de 2012

Refletindo sobre a greve...

Não é fácil ser professor neste país. A Educação não é valorizada pelos governantes, o salário é baixo, as condições de trabalho são péssimas, salas lotadas, falta de recursos materiais e de pessoal, pouca verba, investimento mínimo em pesquisa. É, não é fácil.
Considerando tudo isso, os professores federais iniciaram uma greve em maio deste ano. Já se passaram mais de 110 dias, e até agora o governo federal apresentou apenas uma única proposta aos professores. A maioria dos professores rejeitou a proposta, mas o governo simplesmente ignorou este fato. E vem ignorando a greve, se recusando a negociar. A população em geral pensa que a greve foi motivada apenas por questões salariais, a imprensa apoia o governo, e assim os professores são considerados teimosos e intransigentes pelo povo.
Mas, para se ter uma ideia de como são ruins as condições de trabalho, vou usar como exemplo o curso em que sou docente, de Terapia Ocupacional. Até alguns anos atrás, antes da criação do programa REUNI pelo governo federal, o curso admitia 30 (trinta) alunos por ano, e contava com um corpo docente de 12 (doze) professores. Atualmente, após o REUNI, são 120 (isso mesmo, cento e vinte!!!!!!!!) alunos por ano, e o corpo docente conta com 23 (vinte e três) professores. Resumindo: o número de alunos quadriplicou, enquanto o número de docentes não chegou nem ao dobro. Será possível manter a qualidade do curso em tais circunstâncias?
Esse é apenas um exemplo de como os programas do governo vem precarizando o ensino público federal... E é um dos motivos da greve!!!
Infelizmente, a greve é um mal necessário. Não temos outra maneira de reivindicar melhores condições de trabalho. Mas considero que a greve deste ano já passou dos limites. E não está caminhando para lado nenhum. Sinceramente, nós professores, que entramos em greve com uma mão na frente e outra atrás, corremos sério risco de voltar a trabalhar com as duas mãos atrás. E com um monte de aulas para repor, durante anos sem férias, com semestres emendados uns aos outros... Afff!
Acho que o governo vai acabar saindo vitorioso nesta "queda de braços". E, na verdade, não sei se as propostas do nosso sindicato refletem o que os professores realmente necessitam...
Não é fácil. A situação não está nada agradável. E, sem querer ser pessimista, a tendência é piorar...