domingo, 2 de setembro de 2012

Refletindo sobre a greve...

Não é fácil ser professor neste país. A Educação não é valorizada pelos governantes, o salário é baixo, as condições de trabalho são péssimas, salas lotadas, falta de recursos materiais e de pessoal, pouca verba, investimento mínimo em pesquisa. É, não é fácil.
Considerando tudo isso, os professores federais iniciaram uma greve em maio deste ano. Já se passaram mais de 110 dias, e até agora o governo federal apresentou apenas uma única proposta aos professores. A maioria dos professores rejeitou a proposta, mas o governo simplesmente ignorou este fato. E vem ignorando a greve, se recusando a negociar. A população em geral pensa que a greve foi motivada apenas por questões salariais, a imprensa apoia o governo, e assim os professores são considerados teimosos e intransigentes pelo povo.
Mas, para se ter uma ideia de como são ruins as condições de trabalho, vou usar como exemplo o curso em que sou docente, de Terapia Ocupacional. Até alguns anos atrás, antes da criação do programa REUNI pelo governo federal, o curso admitia 30 (trinta) alunos por ano, e contava com um corpo docente de 12 (doze) professores. Atualmente, após o REUNI, são 120 (isso mesmo, cento e vinte!!!!!!!!) alunos por ano, e o corpo docente conta com 23 (vinte e três) professores. Resumindo: o número de alunos quadriplicou, enquanto o número de docentes não chegou nem ao dobro. Será possível manter a qualidade do curso em tais circunstâncias?
Esse é apenas um exemplo de como os programas do governo vem precarizando o ensino público federal... E é um dos motivos da greve!!!
Infelizmente, a greve é um mal necessário. Não temos outra maneira de reivindicar melhores condições de trabalho. Mas considero que a greve deste ano já passou dos limites. E não está caminhando para lado nenhum. Sinceramente, nós professores, que entramos em greve com uma mão na frente e outra atrás, corremos sério risco de voltar a trabalhar com as duas mãos atrás. E com um monte de aulas para repor, durante anos sem férias, com semestres emendados uns aos outros... Afff!
Acho que o governo vai acabar saindo vitorioso nesta "queda de braços". E, na verdade, não sei se as propostas do nosso sindicato refletem o que os professores realmente necessitam...
Não é fácil. A situação não está nada agradável. E, sem querer ser pessimista, a tendência é piorar...

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