segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Balanço 2012

Ufa! O balanço de 2012 é positivo, graças a Deus. Mas este foi um ano MUITO intenso... A vida deu umas cinco voltas (ou mais?) de 360 graus.
O Réveillon já foi caótico. Depois de passar 31 de dezembro na casa de praia de uma amiga, sem água e sem energia elétrica, sem saber se seria necessário entrar 2012 sem banho, veio uma tempestade "daquelas". Muita chuva, vendaval, mar agitado... No fim das contas, meu primeiro Reveillon na praia foi um fiasco. Nada de pular 7 ondas e, além disso, a "boate" montada na beira da praia literalmente foi pelos ares. Felizmente, tudo aconteceu antes de chegarmos na festa...
Depois desse caos no Réveillon  o primeiro semestre foi recheado de decepções, problemas de saúde, problemas no trabalho, insegurança.  Logo no final de janeiro, minha avó materna faleceu. Menos de uma semana depois, foi uma tia-avó. Duas perdas na família em 5 dias. E tive que voltar para Curitiba e deixar minha mãe sozinha neste momento. Afinal, tinha que ir trabalhar...
O pior momento foi em abril, quando recebi o diagnóstico de útero infantil, e meu sonho de ter filhos poderia ser impossível de se realizar. Literalmente, tive vontade de morrer. Fiquei extremamente deprimida, passei mais de 48 horas sem sequer sair da cama. Foram milhares de exames, consultas com vários médicos, e finalmente descobri que eu poderia fazer um tratamento e, talvez, ser mãe.
Além disso, revi muitas coisas sobre minha vida pessoal, e consegui fazer as pazes com uma pessoa muito importante na minha vida.
Então veio a greve na universidade, que serviu para me mostrar muita coisa sobre minha vida profissional. E serviu para engravidar, mesmo sem tratamento...
E a gravidez serviu para tirar muitas máscaras, e corrigir a ilusão que eu tinha sobre algumas pessoas, especialmente sobre o pai da minha filha, que se mostrou um verdadeiro idiota e egoísta.
No final do ano, comprei meu primeiro apartamento, depois de uma verdadeira novela com o financiamento da Caixa, o serviço de despachante, e os vendedores do imóvel. E hoje moro sem pagar aluguel!!!
É, 2012 não foi um ano fácil, especialmente o primeiro semestre. Mas, entre mortos e feridos, salvaram-se todos... rs
Hoje espero a chegada da minha tão desejada filha, e moro em um imóvel que é meu. Só por isso 2012 já valeu a pena...

Que venha 2013!!!!

domingo, 30 de dezembro de 2012

O fim e o começo

O texto a seguir, de autoria de Martha Medeiros, foi publicado no jornal Hoje em Dia, nesta edição de domingo. É um texto bastante interessante, que reflete muito do que eu penso sobre 2012...


Como era de se esperar, não teve fim de mundo. Mas 2012 não foi um ano qualquer. Muitas pessoas à minha volta sentiram algo parecido com o que senti: que este foi um ano de intensidade única, com uma energia capaz de encerrar etapas. Um ano de despedidas, algumas concretas, outras mais sutis. Houve quem tenha terminado casos mal resolvidos, quem tenha se conscientizado de um problema que não queria ver, quem se deu conta da fragilidade de uma situação, quem tenha aceitado um desafio que exigiu coragem, quem tenha enfrentado uma situação transformadora, quem tenha se jogado num estilo de vida diferente. Olho para os lados e vejo que 2012 não passou em branco para quase ninguém. Pelo menos não para mim, nem para pessoas próximas.

Meu microcosmo não revela o universo inteiro, lógico. Você talvez não tenha percebido nada de incomum no ano que passou, mas ainda assim seria interessante promover um fim categórico, encerrar o ano colocando uma pedra em algo que não lhe convém mais. Geralmente chegamos ao final de dezembro focados apenas no recomeço, na renovação, nos planos, sem nos darmos conta de que, para que nossas resoluções sejam cumpridas mais adiante, não basta pular sete ondas, comer lentilhas e outras mandingas. É preciso que haja, sim, o fim do mundo. O fim de um mundo seu, particular.

Qual o mundo que você precisa exterminar da sua vida?

Sugestão: o mundo do bullying cibernético. Ninguém é autêntico por esculhambar o trabalho dos outros, sendo agressivo e mal-educado só porque tem a seu favor o anonimato na internet. Perder horas na frente do computador demonstra sua total incapacidade de convívio. Bum! Fim desse mundo estreito.

O mundo da prepotência, aquele que faz você pensar que todos lhe estenderão um tapete vermelho sem você precisar dar nada em troca. Qualquer um pode ser profético quanto a seu futuro: passará o resto da vida achando que ninguém lhe dá o devido valor, isolado em sua torre de marfim.

O mundo obcecado do amor doentio, aquele amor que só persiste pelo medo da solidão, e que de frustração em frustração vai minando sua possibilidade de ser feliz de outro modo.

O mundo das coisas sem importância. Quanta dedicação ao sobrenome do fulano, à conta bancária do sicrano, à vida amorosa da beltrana, o quanto ela pagou, o quanto ele deveu, quem reatou. Por cinco minutos, vá lá. Os neurônios precisam descansar. Mas esse trelelé o dia inteiro, socorro.

O mundo do imobilismo. Do aguardar sem se mover. Da espera passiva pelo momento certo que nunca chega.

2012 prenunciou um cataclismo, só que não era global, e sim individual. Impôs que cada um desse um fim à vida como era antes e que promovesse uma mudança interna, profunda e renovadora. Feito?

Então que venha um 2013 do outro mundo para todos nós."

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O novo apê

Supostamente, eu deveria estar feliz. É, eu deveria. Afinal, amanhã vou me mudar para o meu apartamento. Imóvel próprio, o sonho de milhares, aliás, milhões de pessoas neste mundo. Em breve, livre do aluguel.
Mas não estou feliz... Não estou me mudando para o lugar que eu gostaria de ir. Vou me mudar, mas vou continuar aqui. Aqui, onde não gostaria de estar.
O jeito é tentar me alegrar com o fato de que agora poderei, pelo menos, planejar e organizar o quarto do meu bebê. Os últimos meses foram tão tumultuados que nem tive tempo de cuidar dessas coisas...
É, eu deveria estar feliz.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

domingo, 25 de novembro de 2012

Deu zebra!!!

Era fim de tarde do dia 12 de abril de 2012. Depois de exames de rotina, a ginecologista diz "não sei se você pode engravidar, seu útero é do tamanho do útero de uma adolescente de 11 anos, não é maduro o suficiente para suportar uma gestação".
Começa o meu desespero. Sempre tive o sonho de ser mãe, e essa notícia tirou meu chão. Passei dias sem querer sair da cama, parecia um zumbi, não tinha ânimo para nada. Cheguei a passar quase 48h sem sair da cama, só chorava. A dor chegava a ser física. Não dormia, não comia, não conseguia trabalhar. 
A única vantagem disso tudo, foi que o diagnóstico me fez rever muitas coisas na minha vida, e acabei retomando contato com uma pessoa muito importante na minha história, da qual eu tinha me afastado por orgulho, imaturidade ou sei lá por que...
Decidi procurar uma segunda opinião, fui a outro médico que me disse que realmente meu útero era muito pequeno, mas que talvez houvesse tratamento, e me recomendou procurar um especialista em reprodução. Claro que me animei um pouco, mas sabia que poderia começar um caminho de muito stress, muitos gastos financeiros e, talvez, de prováveis fracassos e frustrações.
E talvez numa tentativa de escapar de tal tratamento, busquei outra médica, na esperança de ouvir que os dois primeiros atavam errados e que eu seria mãe de maneira natural. Mas ela foi curta e grossa: "não posso te ajudar. Seu útero é muito pequeno. Talvez você consiga engravidar, mas vai precisar de tratamento."
Então, lá fui eu para o especialista em reprodução. Foram milhares de exames de sangue, e vários ultrassom. O diagnóstico foi "realmente o útero é pequeno, mas o principal problema é que o endométrio é muito fino, não suportaria a implantação do embrião. Vamos começar um tratamento hormonal e ver como o útero reage. Serão pelo menos 3 meses, com uso ininterrupto da medicação, para ver o ritmo de amadurecimento do útero. A cada 30 dias, faremos novo ultrassom, para acompanhar a evolução e verificar se o hormônio está adequado." E me passou a receita de um hormônio super forte, para que eu começasse a tomar na próxima menstruação.
Mas, felizmente, deu zebra!!!! Rs (no mundo dos esportes, um resultado inesperado é zebra, não é?)
Nem cheguei a começar o tratamento... Engravidei espontaneamente. De um cara que definitivamente não merece essa bênção, mas era alguém com quem eu estava há dois anos e, na época, eu amava. Um babaca que, mesmo sabendo tudo que passei, me pediu para fazer um aborto. Alguém que, se depender de mim, nunca chegará nem perto da minha zebrinha, pois não merece...
E, exatamente 3 meses após a notícia mais terrível da minha vida, no dia 12 de julho de 2012, recebi a notícia mais maravilhosa de todas. Só não foi mais feliz porque o pai (se é que ele pode ser chamado assim) me pediu para matar a minha zebrinha...
Mas o que interessa é que essa zebra cresce a cada dia, mexe e remexe aqui dentro da minha barriga, está se desenvolvendo bem e, se Deus quiser, em breve estará nos meus braços.
É a minha zebrinha, o meu pequeno milagre. O presente mais maravilhoso que a vida me deu.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Algumas coisas não mudam...

Dizem que o tempo cura tudo. Que basta dar tempo ao tempo. Mas, se isso é verdade, o nosso tempo (ou seria melhor dizer "o tempo entre nós"?) foi pequeno. Foi pouco. Foi insuficiente para curar, para acabar, para levar embora.
Pois, ao reencontrar você, senti exatamente o que imaginei que sentiria... E, sinceramente, não sei se fico feliz ou triste com isso. 
Foram longos anos. Muitos. Na verdade, ficamos mais tempo separados do que juntos. E, no último sábado, me senti novamente com 20 anos. Com a pequena diferença de que mal podia tocar em você... Para ser bem sincera, evitei muito contato físico, porque sei exatamente como eu me sentiria se encostasse demais em você.
Caramba, a vida deu tantas voltas!! Mudou muito em alguns aspectos, mas em outros parece que foi congelada. Um verdadeiro filme passou pela minha cabeça durante aquele almoço. E confesso que fiquei pensando se poderia ter sido diferente. E, principalmente, se ainda pode ser diferente. Porque o que já aconteceu é passado, não dá mais para mudar. Não dá para reescrever a história, mas é possível escrever uma nova. 
Resta saber se, nos planos do destino, a história é nossa, ou vai continuar sendo a história de cada um, separadamente.
E minha única alternativa é controlar a ansiedade e deixar as coisas acontecerem. Além de rezar para que o melhor aconteça. Com você. Comigo. Ou conosco.

domingo, 18 de novembro de 2012

sábado, 10 de novembro de 2012

Sobre a trilogia "Cinquenta Tons"

A trilogia "Cinquenta Tons" tem estado, há semanas, entre os livros mais vendidos e mais lidos. Eu li o primeiro e o segundo livros, respectivamente, Cinquenta Tons de Cinza e Cinquenta Tons Mais Escuros, e vou dar a minha opinião sincera, que pode chocar a maioria das pessoas. Na verdade, a mulherada está gostando tanto da tal trilogia, que se eu manifestar publicamente a minha opinião, corro o risco de ser linchada em praça pública.... rs

Vamos começar pelo começo. Acho que a mulherada que se encanta pela trilogia é, com perdão da expressão, um bando de mal comidas. Mulheres que têm medo, ou vergonha, ou sei lá o que, de expressar e experimentar a própria sexualidade, e precisam de um livro erótico, com um personagem lindo e bilionário, para suprir suas necessidades sexuais. E, sinceramente, fico triste que em pleno século XXI, ainda existam (e muitas) mulheres assim!!! O sucesso da trilogia apenas aponta que ainda vivemos numa sociedade predominantemente machista. 

Aliás, até o livro é machista!!! O cara é tão possessivo e controlador que proíbe a mulher de se masturbar e explorar o próprio corpo! De acordo com ele, o prazer dela é propriedade (SIM, propriedade!!!!!) dele, e só dele. Ah, faça-me o favor, né?

Além disso tudo, a história é completamente surreal, e vejo a mulherada babando por causa de um cara danado de sortudo, que foi adotado e amado por uma família bilionária, teve todas as melhores oportunidades do mundo, e trata as mulheres como se fossem lixo. O tal "contrato" com as submissas é simplesmente absurdo!!!!

E, na minha opinião, mais absurdo ainda, é mulheres do século XXI, teoricamente tão bem resolvidas, independentes e tal, se apaixonarem por um personagem assim. Não sou socióloga, antropóloga, psicóloga, mas acredito que daria para escrever uma tese de doutorado sobre os personagens e sobre o por quê desta trilogia estar fazendo tanto sucesso entre as mulheres...

Enfatizo que aqui apenas expresso a minha humilde opinião de leitora, que "foi na onda" da moda e gastou algumas horas lendo essa história... Mas, sinceramente, não tenho nem curiosidade para saber como ela termina...

A Dança (Pablo Neruda)


Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas.
Nada contava nem tinha nome.
O mundo era do ar que esperava
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo.
Caído, abandonado, decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio.
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Eu acredito em Deus (Rubem Alves)


Eu acredito em Deus!!
Mas não sei se o Deus em que eu acredito, é o mesmo Deus em que acredita o balconista, a professora, o porteiro, o bispo, ou o pastor....
O Deus em que acredito não foi globalizado. O Deus com quem converso não é um
a pessoa, não é pai de ninguém. É uma ideia, uma energia, uma eminência. Não tem rosto, portanto não tem barba. Não caminha, portanto não carrega um cajado. Não está cansado, portanto não tem trono. O Deus que me acompanha não é bíblico. Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova.
O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade.
O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos. Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras. Nossa penitência é a reflexão.
Ave Maria, Pai Nosso: isso qualquer um decora sem saber o que está dizendo. Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo.
O Deus em que acredito não condena o prazer. Se ele não tem controle sobre enchentes, guerrilhas e violência, se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas, se não tem controle sobre a miséria, o câncer e as mágoas, então que Deus seria ele se ainda por cima condenasse o que nos resta: o lúdico, o sensorial, a libido que nasce com toda criança e se desenvolve livre, se assim o permitirem?
O Deus em que acredito não me abandona, mas me exige mais do que uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros. A cruz pesa onde tem que pesar: dentro.
É onde tudo acontece e Este é o Deus que me acompanha.
Um Deus simples.
Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe tudo e vê tudo. Meu Deus é discreto e otimista. Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso: de um abraço numa amizade, uma música na hora certa, um silêncio.
O Deus em que eu acredito também não inventou o pecado, ou a segregação de credo.
E como ele me deu o Livre-Arbítrio, sou eu apenas que respondo e responderei pelos meus atos.


Rubem Alves.