domingo, 10 de junho de 2012

Desabafo

A vida às vezes nos prega umas peças bastante desagradáveis.
Nos últimos tempos, ando me questionando várias coisas sobre o sentido da vida, sobre por que estamos nesse planeta, sobre a diferença que existe entre "viver" e "existir"...
Recentemente, recebi uma notícia que me tirou do ar. Eu, que sempre sonhei em ser mãe, fiquei sabendo que meu útero é pequeno demais para suportar uma gestação. De acordo com a médica, tenho o tal "útero infantil", condição de saúde que pode ser genética, e que na minha família já impediu minha tia-avó de ter filhos biológicos.
Então fiquei pensando sobre o por que disso tudo. Considerando a minha crença no Espiritismo e na lei de causa e efeito, só posso concluir que fui uma mãe muito relapsa em outras vidas. Ou uma mulher que nunca valorizou a possibilidade de ser mãe. Daquelas bem egoístas, que fazem um aborto após o outro, sem se preocupar com aquele espírito que está ali necessitando voltar à Terra.
Mas, independente do motivo, dói. Dói muito.
Dói pensar que, enquanto eu sofro por não poder gerar uma criança, outras pessoas por aí estão batendo nos seus filhos, fazendo terrorismo psicológico, agredindo física e verbalmente. Ou abandonando em latas de lixo, jogando no rio, amarrando no pé da mesa...
E é inevitável me sentir injustiçada. A sensação é de que nada que fiz até hoje, por mim ou pelas outras pessoas, valeu a pena.
Sinceramente, ser considerada inteligente, gente boa, trabalhadora, pesquisadora, "especial", já não me basta. Aliás, eu nem queria tanta coisa assim.
Eu só queria um filho. Será que é pedir muito?

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