A partir de hoje, Zuleica vai dormir sozinha no quintal, vai latir sem a companhia da mãe no portão. E, quando estiver molhada, ninguém vai lambê-la para secar, como a mamãe Dalila sempre fazia, como se Zuleica ainda fosse um bebê.
Ninguém mais vai entrar pé ante pé no meu quarto de manhã para me dar bom dia, ganhar um cafuné nas orelhas e sair com a mesma calma que entrou. Ninguém vai aproveitar um descuido de mãe para subir sorrateiramente no sofá. Ninguém vai olhar mil vezes para minha cara, ao me ver chorando, como quem diz "o que posso fazer para curar sua tristeza?"
Hoje estou chorando e você não está aqui para me consolar. Estou chorando justamente porque você não está mais aqui.
É, Dadá, vamos sentir sua falta. Acho que nunca conheci uma cadela tão amorosa quanto você, você sempre foi muito especial. Tinha seus defeitos, sim, como qualquer outro ser deste planeta ainda tão complicado que é a Terra, mas proporcionou muitas alegrias durante os dez anos que esteve conosco. Essa casa nunca mais será a mesma sem você, sem a sua alegria, sem o seu cuidado.
Nosso único consolo é saber que, neste momento, você está bem melhor do que nos últimos dias, sem dor, sem febre, sem dificuldade para andar, sem aquela praga de câncer te corroendo por dentro.
Fique bem, minha amada Dalila. Fique com Deus. E saiba que você estará sempre no meu coração.
Amo você.

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