segunda-feira, 18 de abril de 2011

Entre dois amores (Crônica de Rubem Alves)

Estou lendo "O Retorno e Terno", de Rubem Alves, e a crônica abaixo me chamou particularmente a atenção... Especialmente o trecho que destaquei...

O seu coração estava dividido entre dois amores. De um lado, um velho amor que se desfazia e do qual, se despedia. Tinha estado ligado àquela mulher por anos de afeto manso e tranqüilo, de amizade real e sincera. Coisa alguma poderia negar este fato. Durante este tempo, ele se sentira como alguém que caminha por uma planície colorida, sem montanhas e abismos, o ar claro e sem brumas, sabendo exatamente o que o esperava. Seu amor havia alcançado aquela condição de certeza sem surpresas, livre dos sofrimentos do ciúme e das dúvidas que são o inferno dos apaixonados. E era isto que ele deixava para trás. E por isto sofria. Encontrara uma outra mulher cuja imagem, por razões que ele não podia compreender, despertara das cavernas da sua memória uma outra cena cheia de mistérios, de perfumes exóticos, de penumbras eróticas, onde crescia o fruto dourado da vida. E ali, nesta nova cena que se refletia nos olhos daquela mulher, e se via como um homem diferente, de corpo jovem dotado de asas, pronto a voar pelo desconhecido, em nada semelhante ao ser doméstico ruminante que morava na cena do seu primeiro amor.



Apaixonara-se por ela. Apaixonara-se pela bela cena que via como aura mágica, em torno daquele rosto. Apaixonara-se pela sua própria imagem, refletida naquele olhar. Queria tê-la para poder ter-se deste modo intenso que nunca antes experimentara.Era preciso dizer adeus. Deixar para trás a antiga companheira fiel, e a cena pálida, descolorida e monótona que aparecia em sua aura cansada. Assim são os velhos amores: fiéis e cansados… Mas a idéia de magoá-la o horrorizava. Chegar para ela e simplesmente dizer: “Estou apaixonado por outra mulher. Vou-me embora…” — isto seria uma grosseria que ele nunca se perdoaria. Queria poupar-lhe a dor de ver-se deixada só, na plataforma da estação, enquanto ele partia.A dor de quem fica é sempre maior.


Parece-se com a dor após sepultamento,quando se volta para a casa, e o espaço se enche com a presença de uma ausência. Na verdade a dor da partida é maior que a dor da morte. Pois o morto se foi contra a vontade. Partiu me amando. Partiu triste por me deixar. Nenhuma alegria o espera. Por isto os pensamentos de quem ficou descansam tranqüilos, sem serem perturbados por fantasias dos novos amores e prazeres à espera do que morreu. Pois nada o aguarda. A morte pode ser a eternalização do amor. A morte fixa a bela cena, enquanto a partida destrói a bela cena. O apaixonado sofreria menos com a morte da pessoa amada que com a sua partida para um novo amor. Quem quiser entender as razões dos crimes de amor terá de levar isto em consideração. Quem mata por amor é como um fotógrafo que deseja eternizar a imagem amada na bela cena. Não era isto que Cassiano Ricardo sugeria no seu poema ´ Você e o seu retrato`? Ele pergunta: Por que tenho saudade de você, no retrato, ainda que o mais recente?E por que um simples retrato, mais que você, me comove, se você mesma está presente? E depois de sugerir várias respostas ela faz a seguinte afirmação: Talvez porque, no retrato, você está imóvel, sem respiração…Você, viva, ingrata, é a permanente possibilidade da surpresa, do gesto que irá destruir a beleza. Mas, no retrato, você fica imóvel. Transforma-se em quadro. Quem mata por amor é um fotógrafo (cruel) que imobiliza a bela cena. E assim a coloca na parede, como objeto de saudade e devoção, para sempre. Bem dizia Roland Barthes que a única coisa que se encontra fixada na fotografia, qualquer fotografia, é a morte.


Sim, o que fazer? Como partir sem fazer sofrer demais uma pessoa boa, por quem se tinha um afeto sincero? Por vezes uma mentira é o melhor caminho. Há verdades cruéis e mentiras bondosas. Na encruzilhada ética entre a verdade e a bondade, que a bondade triunfe.Imaginou então uma mentira. Iria dizer que estava em dúvidas sobre se ela realmente o amava. Que por vezes ele a observava com o olhar perdido, e que imaginava seus pensamentos distantes, andando por outros amores. Que, inclusive, durante o sono, ela dissera repetidas vezes o nome de um homem (Pobrezinha! Não teria formas de contestá-lo. Pois estava dormindo…) Assim, ele queria que os dois se dessem um tempo. Que ficassem longe, provisoriamente, a fim de que os sentimentos pudessem ficar mais claros. A distância é um excelente remédio para as confusões do amor. E assim ele fez.Ela ouviu suas alegações tranqüilamente, sem sobressaltos aparentes. Terminada a sua fala, quando ele se preparava para ouvir as contra- argumentações que deveriam se seguir, o que ele ouviu foi outra coisa: — Sabe? Cada vez mais me surpreende a sua sensibilidade. Como foi que você percebeu? Fiz tudo para esconder meus sentimentos de você! Eu não queria magoá-lo! Mas agora que você já sabe, é bom assumir a nossa verdade. De fato, há um outro. Chegou a hora de dizer adeus…


O que aconteceu naquele instante ele nunca pôde compreender. Pois aquelas palavras eram tudo de que precisava. Estava livre para se entregar sem culpas a sua nova paixão. Mas a única coisa que ele sentiu foi a dor imensa de uma paixão que repentinamente explodia por aquela mulher que lhe dizia adeus… E ele se viu solitário e triste, na plataforma vazia da estação, enquanto ela partia… Só lhe restava voltar para a casa vazia, onde ninguém o esperava… Como eu já disse: não é a pessoa que amamos; é a cena”.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Casamento da Ira




Tudo muito lindo, muito divertido e muito gostoso...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Mediocridade opcional

Vi este texto no orkut da minha irmã e gostei bastante...

"Atenção para um aviso importante: a mediocridade é opcional. Ao contrário das outras mazelas da vida, essa você só tem se quiser. Sendo que já não será um medíocre quem tentar não sê-lo. E tentar é fácil, tente. Está provado: o ser humano é metade genes, metade meio-ambiente. Você não pode fazer nada se a genética não lhe favoreceu em algum aspecto, mas pode fazer tudo para melhorar a qualidade da sua relação com o resto do mundo. Tirando dele o que ele tem de melhor e vice-versa. Não estamos dizendo que vai ser fácil mas por acaso é fácil dançar a dança da garrafa? Comece negando tudo que lhe parecer "medianamente médio". Lembre-se que ser medíocre é mais confortável, por isso fuja do "ah, se tanta gente gosta, por que que eu não vou gostar?" Você não vai gostar porque você merece melhor. Já que ser mediocre é viver na zona franca da existência. Feliz por ser mais um igual. Quando só a diferença faz diferença, por menos diferente que ela seja. Só rompendo com esse poder - sim, a mediocridade é um poder, que controla nossa vida como um déspota cafona - só rompendo com esse poder, poderemos salvar a humanidade. A luta é diária e individual. Mas sempre valerá a pena, pois de mesmice morrem os mesmos".

Fernanda Young

terça-feira, 12 de abril de 2011

Um dia mais que especial

O frio na barriga era inevitável, afinal, era uma defesa de doutorado.
Mas a tarde do dia 28 de março de 2011 vai ficar na história. Pelo menos na minha história... rs
E, no final, as coisas saíram melhores do que o esperado.
Foi uma tarde longa. A defesa começou às 14h10, com a minha apresentação, que durou 55 minutos. O máximo previsto pelo Programa de Pós-Graduação era 50 minutos, passei um pouquinho do tempo... Mas, como resumir 4 anos de trabalho exaustivo em apenas 50 minutos???
Depois da apresentação, a arguição. A tão temida arguição... Foram 2 horas e 10 minutos no total, com comentários e críticas construtivas da banca, além de questionamentos pertinentes. Não posso negar que estava nervosa. Mas acho que eu sabia do que estava falando...
E, depois da arguição, a reunião da banca para deliberar o resultado. Os vinte minutos mais longos da minha vida... Por mais que a banca tenha elogiado bastante a tese, sempre fica a questão "será que respondi tudo o que eles queriam ouvir?"
Ao final, a Lívia leu o resultado, falou sobre o nosso trabalho durante todos esses anos e nunca vou me esquecer do quanto ela elogiou a minha persistência e capacidade para lidar com adversidades.
É muito bom ver seu trabalho ser reconhecido!
E ser a primeira Terapeuta Ocupacional, Doutora em Ciências da Reabilitação pela UFMG!
No momento em que eu, já doutora, pude falar sobre o trabalho, foi inevitável chorar. Dessa vez, ao contrário do mestrado, eu pelo menos consegui agradecer, mesmo chorando... rs
Nesta hora a sala já estava bem vazia, várias pessoas que assistiram a apresentação e a arguição não esperaram pelo grande final. Mas quem ficou ganhou bombom e marcador de livros como lembrancinha...
E eu aqui, agora, escrevendo sobre o dia da minha defesa de doutorado, estou chorando novamente. Emocionada por mais essa vitória, pelo apoio de todos que estiveram ao meu lado, pela luta que só quem viveu sabe o que é...
Sem dúvidas, foi um dia mais que especial!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Do lado de cá...

Esse reggae é uma delícia, e a letra é bem bonitinha...

Se a vida às vezes dá uns dias de segundos cinzas
e o tempo tic taca devagar
Põe o teu melhor vestido, brilha teu sorriso
Vem pra cá, vem pra cá

Se a vida muitas vezes só chuvisca, só garoa
e tudo não parece funcionar
Deixe esse problema a toa, pra ficar na boa
Vem pra cá

Do lado de cá, a vista é bonita
A maré é boa de provar
Do lado de cá, eu vivo tranquila
E o meu corpo dança sem parar
Do lado de cá tem música, amigos e alguém para amar
Do lado de cá
Do lado de cá

Se a vida às vezes dá uns dias de segundos cinzas
e o tempo tic taca devagar
Põe o teu melhor vestido, brilha teu sorriso
Vem pra cá, vem pra cá

Se a vida muitas vezes só chuvisca, só garoa
e tudo não parece funcionar
Deixe esse problema a toa, pra ficar na boa
Vem pra cá

Do lado de cá, a vista é bonita
A maré é boa de provar
Do lado de cá, eu vivo tranquila
E o meu corpo dança sem parar
Do lado de cá tem música, amigos e alguém para amar
Do lado de cá

A vida é agora, vê se não demora.
Pra recomeçar é só ter vontade de felicidade pra pular

Do lado de cá, a vista é bonita
A maré é boa de provar
Do lado de cá, eu vivo tranquila
E o meu corpo dança sem parar
Do lado de cá tem música, amigos e alguém para amar
Do lado de cá
Do lado de cá
Do lado de cá

sexta-feira, 25 de março de 2011

Finais (ou seriam Começos?)

São muitos finais simultâneos para uma Ana Amélia só...
UFA!

Mas todo final é sinal de um novo começo...
Vida nova, nova forma de ver a vida.

Mudanças. Sim, elas assustam. Mas o mundo e nós não evoluímos sem elas...

Abril de 2011: início de uma nova vida. Em vários sentidos.

E seja o que Deus quiser. E o que eu conseguir construir...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Contando os dias...

Nossa, há três meses não publico nada no blog... Correria de final de doutorado... E, como faltam poucos dias para a defesa, resolvi postar os meus agradecimentos da tese.


Nem tudo saiu como o planejado, e seria impossível concluir este trabalho sozinha. É chegada a hora de agradecer a todos que contribuíram de alguma maneira para que essa pesquisa fosse realizada. Em primeiro lugar, agradeço a Deus, nosso Pai, causa primária de todas as coisas. Obrigada pela permissão e pela bênção da vida e de mais esta conquista.


À minha mãe, Isabel Maria Cardoso. Mãe, amo você. Obrigada pela vida, pelo exemplo, pelo incentivo. Obrigada por abrir mão de seus sonhos para tornar possíveis os meus. Obrigada por TUDO.


Às minhas queridas irmãs, Bela e Carol, sempre presentes, mesmo à distância. Amo vocês.


À Lívia, querida professora e exemplo de humildade, disponibilidade, atenção, responsabilidade. Obrigada pela oportunidade de ser sua primeira orientanda de doutorado, por confiar no meu trabalho. Espero, “quando eu crescer”, ser como você.


À toda a família Cardoso (e agregados), pela torcida, pelo carinho. Cardosada querida, não sou uma pessoa que demonstra muito, mas AMO todos vocês.


À Márcia, que me motivou a ser terapeuta ocupacional (ah, se não fosse a disciplina de ADH-1...), que sempre me estimulou e incentivou, tanto profissional quanto pessoalmente. Obrigada!


À Marisa Mancini, que me ensinou desde a graduação que não existe pesquisa perfeita, mas sempre me incentivou a pesquisar e lutar por uma Terapia Ocupacional de maior qualidade. Obrigada pelo apoio e incentivo.


À Profa. Ana Maria Pellegrini, membro da minha banca de qualificação, pelas valiosas contribuições e sugestões.


Às escolas: Centro Educacional São Tomás de Aquino, Instituto Santa Terezinha, E.M. Dona Antonieta Dias de Souza, E.M. Emília de Lima, E.M. Vicente Estevão dos Santos, E.M. José Brasil Dias, Instituto Cássio Magnani, Colégio Santo Agostinho – Nova Lima, E.E. Santos Anjos, Instituto Neusa Rocha, Instituto Amélia Braga de Ensino, SESI - Nova Lima, Colégio Frederico Ozanan, Colégio Arquidiocesano (Ouro Preto), Instituto Sagrada Família, Colégio Novo Mundo, Colégio Paulo Freire, Cemar, E.E Júlia Paraíso, Instituto Zipzap, Educandário Estrelas do Futuro, Escola da Serra, Colégio Sabiracema, Colégio Bom Pastor, Colégio Domiciliano Vieira, Colégio Frederico Ozanam, Colégio São Miguel Arcanjo, que acolheram a mim e as demais examinadoras com muito respeito e cordialidade para a coleta de dados. Agradeço aos diretores, coordenadores, professores, pais e crianças que colaboraram com o estudo.


Às bolsistas de Iniciação Científica, Aline, Issame, Lívia, Marina e Mariana e às bolsistas de Auxílio Técnico Karoline e Clarice, pela colaboração no recrutamento das escolas, na seleção das crianças e na coleta de dados.


Aos meus amigos de Curitiba, Aline, Angela, Ira, Maria José, Marina, Mônica (minha irmã mais velha), Regina, Rosibeth, Valdemor (querido pai postiço), Carol, André, Cris, Léo, que tornaram mais fáceis os dias frios de Curitiba e toleraram meus momentos difíceis longe de Minas. Obrigada pelo carinho e pelos bons momentos que vivemos juntos!


Aos colegas do Departamento de Terapia Ocupacional da UFPR, especialmente às colegas de área, Adriana, Claudia e Gabriela, por assumirem temporariamente uma sobrecarga de trabalho para que eu concluísse meu doutorado, e à Rita, que me socorreu em diversas situações.


Aos colegas do Departamento de Terapia Ocupacional da UFMG, pela oportunidade de crescimento pessoal e profissional, tanto durante a minha graduação, quanto enquanto fui professora substituta.


À Marilane, Sérgio e Rose, sempre atenciosos e dispostos a ajudar.


Às crianças do LAIS, do Projeto Guanabara e todas as crianças que participaram do estudo piloto. Aos colegas do ACRIAR (saudade...) e da ACTOEP, enfim, a todos que colaboraram, direta ou indiretamente, para a realização deste trabalho.


Como diria Raul Seixas, “Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade.” Obrigada a todos vocês!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Um poema by Edson Marques

Mude,
mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente, observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama…
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais…
leia outros livros,
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado…
outra marca de sabonete,
outro creme dental…
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Adeus, Alfredo!

Eu não queria ter que te mandar embora, queria que você continuasse comigo, me fazendo companhia... Mas a minha saúde precisa vir em primeiro lugar! Ou eu te doava para outra família, ou poderia passar o resto da vida dependendo de remédios para minha alergia.
Agora, não preciso mais manter todas as portas do apartamento fechadas. Não tem ninguém subindo na TV. Ninguém mais vai rasgar algum papel que eu esqueça sobre a mesa, nem furar o meu squeeze da academia. Ninguém vai estragar meu sofá, tentar escalar a cortina, mexer onde não deve. É, algumas vezes você me enchia o saco. Não foi fácil me adaptar à você, ao seu comportamento, às suas manias.
Mas você era meu companheiro, meu negão, meu preto. Era quem me esperava na porta quase todos os dias. Era quem me dava bom dia pela manhã. Era quem me chamava para brincar, justo nas horas em que eu estava ocupada. Era quem me seguia pela casa, quem roçava o rabo nas  minhas pernas. Era quem ronronava de alegria por ganhar um carinho meu.
Alfredo, vou sentir sua falta. Muita. Seja feliz na sua nova casa. Eu vou tentar ser feliz sem você aqui.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010