quinta-feira, 29 de setembro de 2011

À procura de espaço na vida dele

Uma amiga minha publicou este texto na página dela no Facebook. Não sei quem é o autor, mas, apesar de ser um texto longo, vale a pena ser lido. Aliás, vale a pena ser lido várias vezes, para ver se aprendemos... hehe

Um dos maiores equívocos que tenho visto ser cometido por muitas mulheres é a urgência em oficializar a relação, e com isso tentar maiores garantias do quanto é amada e se sentir segura no novo vínculo. Acontece que essa urgência pode se tornar inimiga do casal uma vez que ela atropela etapas fundamentais que garantem a solidez do relacionamento.

Inúmeras são as mulheres que se queixam dos ...homens que fogem quando elas se declaram, que se distanciam quando elas tentam a todo custo se aproximar ou que rompem quando elas estavam apaixonadas. Não compreendem o que aconteceu já que tudo parecia ir tão bem, não percebem sua parcela de contribuição para o desfecho inesperado.

Chegam e-mails de moças que se consideram românticas e se surpreendem quando, ao demonstrar o que sentem, os homens finalizam a relação. Quando escrevem o que fazem fica bastante claro que não são verdadeiramente românticas como imaginam e sim, muitas vezes, invasivas, inseguras ou controladoras. Tentam a todo modo, ainda que não percebam suas atitudes, um espaço certo e seguro na vida do companheiro e se tornam consequentemente desinteressantes de se ter ao lado.

É preciso fazer uma volta ao passado e relembrar como acontece esse aspecto das relações desde o momento em que se nasce até a vida adulta.

Num primeiro momento (tudo correndo bem) os pais receberão seu desejado bebê e abrirão naturalmente para ele um espaço enorme em suas vidas, essa será a primeira experiência de entrar na vida de alguém, uma vivência de bastante onipotência.

Mais adiante, já tendo se tornado um ser de certa autonomia e vivendo no mundo com a percepção de que existe o EU e o OUTRO, cada um com sua própria personalidade e características, uma outra experiência acontecerá, que será a de troca, empatia, aceitação de diferenças e um ensaio de como deixar que entrem em sua vida, assim como conseguir entrar no mundo de uma outra pessoa.

À medida que esse sujeito cresce a dinâmica das relações se torna ainda mais complexa e novos fatores passam a interferir nesse processo. Estar na vida do outro será cada vez mais uma conquista e não algo já esperado, é uma conquista dentro de uma relação.

Muitas pessoas pararam na sua onipotência infantil e sem que percebam reproduzem essa primeira experiência assumindo que deverão ser aceitas e bem vindas facilmente sempre que assim considerarem correto. Não percebem que do lado de fora existe uma outra pessoa, com sentimentos próprios e com limites demarcados e que abrirá suas portas quando e se desejar. De nada adianta insistir para pertencer ao mundo do companheiro se ele mesmo não tiver esse desejo, se não for uma vontade mútua e se não souberem respeitar os limites entre a dupla.

Tanto uma mulher quanto um homem precisam entender que a entrada no mundo um do outro é um processo natural e espontâneo que não acontece com base na insistência. Dessa forma, o que se conquista é o distanciamento e a falta de interesse.

Alguém para ser interessante precisa saber seus limites, respeitar os do outro, se valorizar, ser cuidadoso, não invadir, abrir mão da tentativa de controlar o que o outro sente, transmitir segurança na própria vida, se apresentar como um ser à parte que deseja coexistir, ou seja existir na troca, em parceria e não fazendo do mundo do outro uma casa onde será acolhido e cuidado.

O espaço na vida de alguém é uma conquista e muitas vezes o mais óbvio e simples é o mais difícil de ser feito, como nesse caso onde é fundamental que se tenha uma clara percepção de que existe o OUTRO e não apenas alguém que será como você quer e espera (e vice-versa) e não apenas o seu desejo para ser atendido.

Fundamental que se deixe de lado a onipotência que faz o funcionamento infantil e que se assuma uma postura adulta de respeito e troca. O espaço virá no momento em que conseguirem encontrar ou construir uma relação onde os dois lados possam ser vistos, considerados e respeitados.

domingo, 25 de setembro de 2011

Socorro

http://www.youtube.com/watch?v=rjZfK4htwag


Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir...
Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...
Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...
Socorro!
Alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento
Acostamento, encruzilhada
Socorro! Eu já não sinto nada...
Socorro!
Não estou sentindo nada [nada]
Nem medo, nem calor, nem fogo
Nem vontade de chorar
Nem de rir...
Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Eu Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...
Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate
Nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...

domingo, 7 de agosto de 2011


" O contrário do amor não é o ódio, é a indiferença. Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor...Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada."

terça-feira, 19 de julho de 2011

De volta pra casa

Nossa, há mais de um mês não publico nada aqui... Estive fora do Brasil, e qualquer hora vou postar minha visão sobre a viagem e sobre a Europa.

Mas, por enquanto, segue um texto que recebi por e-mail e gostei muito:

Casa Arrumada

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
 

Casa arrumada  é assim:
 
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

 

"A VIDA é uma pedra de amolar; desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos." 

domingo, 5 de junho de 2011

Um texto de Martha Medeiros

           Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo:
"Olha, não dá mais!". 
Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo?
Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: "mas agora eu to comendo um lanche com amigos".
Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim? Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema.
Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta.
E sabe o que aconteceu?
Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia.
Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito.
Decidi ser uma mulher mais feliz, afinal, quando você é feliz com você mesma, você não põe toda a sua felicidade no outro e tudo fica mais leve. Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu.
Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos e filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi que eu tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim.
Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida.
Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.
Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris.
Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar.
Resultado disso tudo: silêncio absoluto.
O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.
Até que algo sensacional aconteceu. Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher demais para ele. 
Ele quem mesmo?
 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Gente

O post de hoje é bem breve:


1. Eu definitivamente desisto de entender as pessoas.
2. Existe muita gente estranha neste mundo...

terça-feira, 31 de maio de 2011

O sotaque das mineiras

Não sei quem é o autor, mas esse texto é muito legal...


"O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Afinal,se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo das moças de Minas ficou de fora?
Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ‘ouvi-la faz mal à saúde’. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: ‘só isso?’. Assino, achando que ela me faz um favor.
Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.
Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas… Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho. Não dizem: pode parar, dizem: ‘pó parar’ Não dizem: onde eu estou?, dizem: ‘onde queu tô.’
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem -lingüisticamente falando – apenas de uais, trens e sôs.
Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro – metaforicamente falando, claro – ele é bom de serviço. Faz sentido…
Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar praoutra: ‘cê tá boa?’ Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário. …
Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: – Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc..) O verbo ‘mexer’, para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: ‘- Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.’
Esse ‘aqui’ é outra delícia que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer ‘olá, me escutem, por favor’. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.
Mineiras não dizem ‘apaixonado por’. Dizem, sabe-se lá por que, ‘apaixonado com’. Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: ‘Ah, eu apaixonei com ele…’. Ou: ‘sou doida com ele’ (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro).
Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas.
Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: – ‘Eu preciso de ir.’ Onde os mineiros arrumaram esse ‘de’, aí no meio, é uma boa pergunta.. Só não me perguntem! Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório.
No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará :’- Ai, gente, que dó.’
É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras… Não vem caçar confusão pro meu lado! Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro ‘caça confusão’. Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele ‘vive caçando confusão’.
Ah, e tem o ‘Capaz….’ Se você propõe algo a uma mineira, ela diz: ‘capaz’ !!! Vocês já ouviram esse ‘capaz’? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer ‘ce acha que eu faço isso’!? com algumas toneladas de ironia.. Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: ‘ô dó dôcê’. Entendeu? Não? Deixa para lá.
É parecido com o ‘nem..’.Já ouviu o nem…’? Completo ele fica: ‘- Ah, nem….’ O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: ‘Meu amor, Cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?’. Resposta: ‘nem….’ Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?
Preciso confessar algo: minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras. Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.
Se você, em conversa, falar: ‘Ah, fui lá comprar umas coisas…’.. – Que’ s coisa? – ela retrucará. O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o ‘que’!
Ouvi de uma menina culta um ‘pelas metade’, no lugar de ‘pela metade’. E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará: – Ele pôs a culpa ‘ni mim’.
A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas… Ontem , uma senhora docemente me consolou: ‘preocupa não, bobo!’.. E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras. nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: ‘não se preocupe’, ou algo assim. Fórmula mineira é sintética. e diz tudo.
Até o tchau, em Minas, é personalizado. Ninguém diz tchau, pura e simplesmente. Aqui se diz: ‘tchau pro cê’, ‘tchau pro cês’. É útil deixar claro o destinatário do tchau…"

sábado, 28 de maio de 2011

Torradas queimadas (desconheço o autor)

Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar.
E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho, muito duro.


Naquela noite, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas bastantes queimadas, defronte ao meu pai.

Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato.

Tudo o que meu pai fez, foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia, na escola.

Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada bocado.

Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada.

E eu nunca esquecerei o que ele disse: " - Adorei a torrada queimada..."

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, eu lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada.

Ele me envolveu em seus braços e me disse:

" - Companheiro, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada... Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou o melhor marido, empregado, ou cozinheiro, talvez nem o melhor pai, mesmo que tente todos os dias!"

O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros. Desde que eu e sua mãe nos unimos, aprendemos, os dois, a suprir um as falhas do outro. Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de alumínio brilhando. Ela não sabe usar a furadeira, mas após minhas reformas, ela faz tudo ficar cheiroso, de tão limpo. Eu não sei fazer uma lasanha como ela, mas ela não sabe assar uma carne como eu. Eu nunca soube fazer você dormir, mas comigo você tomava banho rápido, sem reclamar.


A soma de nós dois monta o mundo que você recebeu e que te apoia, eu e ela nos completamos. Nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto temos os dois presentes.

Não que mais tarde, o dia que um partir, este Mundo vá desmoronar, não vai. Novamente teremos que aprender e nos adaptar para fazer o melhor.
De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas e com amigos. Então filho, se esforce para ser sempre tolerante, principalmente com quem dedica o precioso tempo da vida, à você e ao próximo.

"As pessoas sempre se esquecerão do que você lhes fez, ou do que lhes disse. Mas nunca esquecerão o modo pelo qual você as fez se sentir."

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mais uma crônica do Tião Martins

Pessoal, o Tião Martins publicou ontem, na sua coluna do jornal Hoje em Dia, mais uma crônica baseada aqui no blog...

Segue abaixo o texto do Tião, intitulado "Aninha e a liberdade de ser"


Curitiba, mais que Belo Horizonte, é cidade que só se deixa amar depois de certo tempo de convivência. Não é como o Rio ou Salvador, onde as portas parecem sempre abertas para quem vem de fora. Essa abertura é ilusória, mas encanta os turistas.
Nos início, a cidade dá a impressão de ser fechada, áspera e até hostil. E as pessoas também são desconfiadas. Tão desconfiadas quanto os mineiros e muito formais, distantes.
Entretanto, quando você supera esse teste de resistência, tudo muda: nascem boas amizades, você aprende os caminhos da cidade e, em breve, estará apaixonado pela Ópera de Arame, o Jardim Botânico, a Boca Maldita e a simpatia do povo.
Aconteceu tudo isso com Aninha Mineira. Hoje, nem a proximidade do inverno é capaz de assustá-la. Após trocar Nova Lima por Curitiba, ela corre até o risco de se casar com um paranaense e ficar por lá, apesar do frio.
A mudança geográfica, entretanto, não abala as convicções dessa menina e doutora, que despreza a mentira e o fingimento e não esconde isso de ninguém. E, exatamente por não esconder, leva o troco.
No seu blog, além de condenar a intolerância daqueles que não respeitam o pensamento e os sentimentos dos outros, ela confessa sua "dificuldade imensa" de se comportar de acordo com as expectativas alheias.
- Sempre tive fama de chata, metida e esnobe, só porque minhas atitudes refletem o que penso e sinto. Algumas vezes, sou excessivamente transparente. Desde criança. Eu me lembro de situações em que levei "puxões de orelha" da minha mãe por deixar transparecer que não tinha gostado de um presente. Sabe aquela careta totalmente espontânea? Pois era assim.
E ainda é. Por não ser Maria vai com as outras, Aninha se recusa a entrar na "ciranda" alheia e interpretar o papel de boazinha e conformada. Ela sabe que pagará um preço por não "fazer o social". E faz careta para as cobranças.
- Tenho dificuldade de viver em uma sociedade que valoriza mais a aparência que a competência ou o caráter de uma pessoa - ela anuncia no blog, mesmo sabendo que essa declaração pode lhe causar problemas.
Entretanto, é melhor que saibam logo como ela é, ainda que a interpretem mal.
Pior, bem pior, seria a opção por seguir as regras que a maioria tenta impor. Viveria infeliz e seria péssima atriz, por se violentar a cada dia. O esforço para ser como o bando quer é sempre fruto do medo. Medo da exclusão, da solidão e da discriminação social. Medo de fracassar como pessoa e personagem. Aninha não cultiva esse medo, que torna infelizes todos aqueles que fazem da vida um teatro.
- Uma das expressões que mais detesto é "não é de bom tom". E olha que escuto muito essa expressão, aqui no Sul. Tem horas que enche o saco ter que "fazer o social". E o pior (ou será que é o melhor?) é que não consigo enxergar isso como defeito meu. Acho que é um defeito da sociedade. Se as pessoas não se importassem tanto com aparências, ou com o "bom tom", poderíamos ser mais felizes.
Aninha não usa palavras de baixo calão, porque é moça fina. Mas o que ela diz é que bom tom é coisa de babaca. E os babacas sentem atração insuperável, fatal, uns pelos outros. O babaca reconhece outro a cem metros de distância. E, quando se unem, querem impor ao mundo as regras da babaquice. Resistindo à ditadura dos merdinhas e babacas, Aninha fala por todos nós.

Sobre pais

A voz do povo diz que "pai não é quem faz, pai é quem cria".
Considerando as minhas últimas experiências, posso acrescentar que "pai é quem cuida".
Em agosto de 2009, aos 29 anos, eu não sabia ainda o que era realmente ter um pai. O meu progenitor, aquele que me doou metade dos genes que deram origem à minha vida, nunca foi um pai de verdade. Ele nunca se importou com a minha saúde, com a minha felicidade, com os meus problemas, com a minha vida, enfim. Ele passou anos longe de mim e das minhas irmãs, e, quando eu já estava adulta, quase formada na universidade, ele resolveu nos procurar. Durante muitos anos carreguei mágoa em relação a ele, mas hoje ele simplesmente não me faz mais falta.
E, felizmente, encontrei um "pai postiço" que me dá atenção, cuida de mim, me dá bons conselhos, compartilha a sua vida comigo. É muito bom saber que tenho alguém com quem contar, especialmente morando longe da minha família que está em MG...
Velho Lobo, obrigada pelo seu carinho, pela sua atenção, pela sua presença. Obrigada por ter adotado essa mineirinha como se fosse realmente sua filha!!!